Francisco Valadares Neto, ex-companheiro de Elyne de Assis Nogueira, já foi condenado por violência doméstica contra outra ex-companheira. Polícia Civil investiga o feminicídio e apura se ele contratou o homem que executou os disparos.
O procurador do município de Brasiléia, Francisco Valadares Neto, é o principal suspeito de mandar matar a médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, morta a tiros na noite de segunda-feira (2), dentro de um bar da cidade no interior do Acre.
Ex-companheiro da vítima, ele já tinha histórico de violência doméstica, medidas protetivas e registros de ameaças e descumprimento de decisões judiciais relacionados ao relacionamento com a médica.

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e trabalha com a hipótese de que Francisco tenha contratado outra pessoa para executar o crime.
Na manhã desta terça-feira (3), o procurador foi encontrado desacordado em casa e encaminhado ao Hospital Regional do Alto Acre.
Segundo o delegado Erick Maciel, responsável pela investigação, a principal linha de apuração considera o histórico de violência no relacionamento entre Francisco e Elyne.
A suspeita de participação do procurador no planejamento do assassinato foi confirmada pela Polícia Civil.
Histórico de violência
Francisco Valadares Neto também já foi condenado pela Justiça do Acre por ameaçar de morte outra ex-companheira, a ex-prefeita de Brasiléia Fernanda Hassem.
O caso ocorreu em 2015, quando Fernanda era vereadora e Francisco atuava como advogado. Conforme a decisão judicial, ele teria ameaçado e ofendido a então parlamentar por não aceitar o fim do relacionamento.
Em novembro de 2017, a Justiça o condenou pelo crime de ameaça no contexto de violência doméstica. Como parte da pena, foi determinado que atuasse gratuitamente em dez processos.
No caso de Elyne, o registro policial aponta dois boletins de ocorrência envolvendo ameaças e descumprimento de medida protetiva. Um foi registrado em 25 de agosto e outro em 11 de setembro de 2026.
A médica possuía duas medidas protetivas contra o ex-companheiro e, segundo testemunhas, vinha relatando ameaças. Uma delas contou à polícia que Francisco teria dito que Elyne não passaria daquele dia.
Botão do pânico
Outro ponto sob investigação é o acionamento do botão do pânico pela médica momentos antes de ser assassinada.
Segundo testemunhas, Elyne acionou o dispositivo de segurança, utilizado por mulheres protegidas por medidas judiciais.
A central de monitoramento teria entrado em contato por telefone, mas nenhuma equipe compareceu ao estabelecimento.
A Polícia Civil apura se o alerta foi registrado e quais providências foram adotadas após o acionamento. Testemunhas e profissionais responsáveis pelo monitoramento deverão prestar esclarecimentos.
Suspeito fugiu
Imagens das câmeras de segurança do bar mostram um homem usando capacete preto e boné vermelho, além de blusa azul-escura e calça bege, aproximando-se da mesa onde Elyne estava. Ele efetuou dois disparos contra a médica e fugiu.
Durante as buscas, policiais militares localizaram um homem com características semelhantes às do atirador nas proximidades da Escola Socorro Frota, no bairro Ferreira Silva. Ao perceber a aproximação da equipe, ele abandonou uma motocicleta e fugiu a pé.
Houve troca de tiros durante a perseguição, e o suspeito entrou em uma área de mata. Ele não foi localizado. A motocicleta foi encaminhada à delegacia.
A Polícia Civil investiga a participação de outras pessoas no planejamento e na execução do assassinato.
Médica trabalhava na rede municipal de saúde
Elyne era servidora da Prefeitura de Brasiléia e trabalhava na Unidade de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva.
A morte provocou manifestações da governadora Mailza Assis, da prefeitura do município e do Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC).
Em nota, Mailza manifestou pesar e indignação pelo assassinato e defendeu que as circunstâncias sejam rigorosamente investigadas e os responsáveis identificados e responsabilizados.
A Prefeitura de Brasiléia também divulgou nota de pesar, destacando a atuação da médica no serviço público municipal.
O CRM-AC repudiou o crime e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão.
O corpo de Elyne foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil.
Nota da governadora Mailza Assis
Recebi com profunda tristeza e indignação a notícia da morte da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, vítima de um crime brutal ocorrido na noite desta segunda-feira, 2, em Brasiléia.
Servidora da prefeitura, Elyne atuava na Unidade de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva, dedicando seu trabalho ao cuidado com a saúde da população.
Uma vida interrompida de forma tão violenta é uma perda irreparável. Como mulher e governadora, manifesto meu repúdio a esse crime e reforço a importância de que as circunstâncias sejam rigorosamente investigadas e os responsáveis, identificados e responsabilizados.
Neste momento de imensa dor, deixo minha solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e a toda a comunidade de Brasiléia. Que Deus conforte seus corações e lhes dê forças para enfrentar essa perda.
Mailza Assis
Governadora do Acre
Nota da prefeitura de Brasiléia
É com imenso pesar que a Prefeitura de Brasiléia, em nome do Prefeito Carlinhos do Pelado e do Vice-Prefeito Amaral do Gelo, expressa suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos pelo falecimento de Elyne de Assis Nogueira, ocorrido nesta segunda-feira, 02 de Novembro de 2026.
Elyne, tinha 39 anos, era servidora do município, médica da unidade Dr Ricardo Barbosa da Silva.
Sua memória permanecerá viva entre seus entes queridos, que sempre a recordarão com amor e saudade.
Que Deus conforte a família, amigos e colegas neste momento de dor, e que as boas lembranças sempre ilustre nossos pensamentos.
Nota do CRM-AC
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Acre (CRM-AC) manifesta profundo pesar e veemente repúdio ao assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, ocorrido em Brasiléia.
A violência contra profissionais da saúde é inaceitável e representa uma grave afronta à vida, à dignidade e à segurança daqueles que dedicam suas vidas ao cuidado com a população.
Neste momento de profunda dor, o CRM-AC expressa solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão, reafirmando seu compromisso com a defesa da vida e da segurança dos médicos.
Que a justiça seja feita e que a violência contra profissionais da saúde jamais seja normalizada.
Canais de denúncia
Polícia Militar:
- (68) 99609-3901
- (68) 99611-3224
- (68) 99610-4372
- (68) 99614-2935
Veja outras formas de denunciar:
Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;
Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
Qualquer delegacia de polícia;
Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel.
Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;
Ministério Público;







