Vacinação de gestantes contra VSR reduz pela metade casos graves de bronquiolite em bebês de até 6 meses

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram queda de 52,5% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave entre recém-nascidos após a incorporação da vacina ao SUS; imunização está disponível para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez

A vacinação de gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite e uma das maiores causas de internação de bebês, reduziu em 52,5% os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de seis meses no Brasil.

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (14), durante a 7ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do Sistema Único de Saúde (SUS), e reforçam a eficácia da estratégia adotada pelo Ministério da Saúde desde a incorporação do imunizante à rede pública, em dezembro de 2025.

No primeiro semestre de 2026, foram registrados 6.674 casos graves em bebês com menos de seis meses, contra 14.061 no mesmo período do ano anterior. Nas demais faixas etárias infantis, a redução variou entre 8% e 13%, evidenciando que o maior impacto ocorreu justamente entre os recém-nascidos protegidos pelos anticorpos transferidos pela mãe durante a gestação.

Até o momento, mais de 1,2 milhão de doses da vacina já foram aplicadas em gestantes em todo o país.

Segundo o Ministério da Saúde, um estudo ainda em andamento estima que aproximadamente 6,8 mil casos graves tenham sido evitados entre crianças menores de seis meses desde o início da vacinação. A análise também aponta que, em 2026, essa faixa etária respondeu por cerca de 35% das hospitalizações de crianças de até quatro anos durante o período de maior circulação do VSR, percentual inferior ao registrado antes da introdução da vacina.

Proteção começa na gestação

A vacina é recomendada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. O imunizante estimula a produção de anticorpos pela mãe, que atravessam a placenta e chegam ao bebê antes do nascimento, garantindo proteção nos primeiros meses de vida — fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e o risco de complicações respiratórias é mais elevado.

O VSR é o principal agente causador da bronquiolite, doença que inflama as pequenas vias respiratórias dos pulmões e representa uma das principais causas de hospitalização de lactentes durante os períodos de maior circulação de vírus respiratórios.

Além da vacinação materna, o Sistema Único de Saúde também disponibiliza o nirsevimabe, um imunobiológico indicado para proteger recém-nascidos e crianças com maior risco de desenvolver formas graves da doença.

O medicamento é destinado a prematuros nascidos com até 36 semanas e seis dias de gestação e a crianças de até 23 meses que apresentem condições como cardiopatias congênitas ou doenças pulmonares crônicas.

Diferentemente das vacinas convencionais, o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal pronto, oferecendo proteção imediata após a aplicação, sem depender da resposta imunológica do organismo. Administrado em dose única, o imunobiológico protege por até seis meses e está disponível prioritariamente em maternidades e nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Mais de 100 mil doses já foram registradas no país.

O Ministério da Saúde orienta que gestantes e responsáveis por crianças que se enquadram nos critérios procurem uma unidade de saúde para verificar a indicação da vacinação ou da aplicação do nirsevimabe.

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