Levantamento do mandato expõe recursos enviados ao Governo do Estado, Prefeitura de Rio Branco, e entidades até de outros estados — com pagamentos registrados, mas sem transparência proporcional sobre a execução.
Desde o primeiro ano de mandato, o senador Alan Rick (Republicanos) direcionou dezenas de milhões de reais em emendas parlamentares ao Acre, com três grandes destinos: Governo do Estado, Prefeitura de Rio Branco, e entidades até de outros estados (principalmente sem fins lucrativos).
Os dados oficiais registram empenhos e pagamentos efetivados, inclusive em restos a pagar. O problema é outro: onde está a comprovação pública, organizada e verificável da execução desses recursos?
No recorte consolidado, há três blocos de valores:
1) Governo do Estado do Acre
As transferências estaduais incluem apoio a hospitais, ações de custeio e investimentos pontuais. Novamente, há pagamentos registrados, mas a rastreabilidade até o resultado final — obra concluída, serviço ampliado, equipamento em operação — não está sistematizada de forma clara para consulta pública.
2) Prefeitura de Rio Branco
Ao longo do mandato, a capital concentrou um volume expressivo de recursos para saúde, infraestrutura urbana e aquisição de equipamentos. Os registros indicam valores empenhados e pagos em múltiplos exercícios, com repasses contínuos desde o primeiro ano. Ainda assim, não há um painel público unificado que relacione cada emenda ao objeto entregue, com fotos, medições e relatórios finais acessíveis ao cidadão.
3) Entidades até de outros estados (terceiro setor)
Aqui está o ponto mais sensível. O levantamento identifica R$ 15.460.225,33 destinados a 17 entidades, incluindo organizações no Acre e fora do estado.
Alguns exemplos:
• R$ 4.037.009,00 → Instituto Reinventar Educação (RJ)
• R$ 1.120.000,00 → Instituto Formando Águias e Campeões (DF)
• R$ 1.000.000,00 → Instituto Casa da Vila (GO)
• R$ 2.318.325,53 → Obras Sociais da Diocese de Rio Branco (AC)
Os sistemas federais registram empenho, liquidação e pagamento desses valores. Porém, faltam evidências públicas consolidadas sobre: conclusão dos projetos, metas cumpridas, beneficiários atendidos e prestação de contas final disponível.
É importante diferenciar: destinar e pagar não é o mesmo que executar. No fluxo orçamentário, a efetividade só se comprova com entrega do objeto, relatório técnico e prestação de contas validada. Sem isso, o cidadão não consegue verificar se o dinheiro virou resultado.
Outro ponto crítico é a destinação para entidades fora do Acre. Se recursos federais indicados para o Acre foram destinados organizações sediadas em outras unidades da federação, é indispensável demonstrar o vínculo com benefícios concretos para a população acreana: onde ocorreram as ações, quantas pessoas foram atendidas, quais produtos foram entregues.
Também chama atenção o fato de que parte das emendas foi destinada nos primeiros anos do mandato, o que, em condições normais, já permitiria a conclusão dos projetos. O padrão esperado seria a existência de obras finalizadas, serviços em funcionamento e documentação pública organizada. A ausência de um dossiê por emenda, com dados consolidados e verificáveis, evidencia uma lacuna de transparência.
Diante dos números e dos registros de pagamento, as perguntas são objetivas e técnicas:
• Quais transferências ao Governo do Estado resultaram em entregas verificáveis?
• Quais obras e serviços correspondem a cada emenda e onde estão as evidências (fotos, medições, laudos)?
• Quanto, exatamente, foi destinado e pago à Prefeitura de Rio Branco ano a ano
• Quais das 17 entidades executaram integralmente os recursos recebidos e já prestaram contas?
• Onde estão, de forma pública e centralizada, os relatórios finais de execução?
Sem essas respostas, consolida-se um cenário preocupante: o dinheiro aparece nos sistemas — o resultado não aparece com a mesma clareza para o cidadão.
Com a aproximação do ciclo eleitoral, a régua de cobrança sobe. Emendas parlamentares são instrumentos legítimos de política pública, mas sua legitimidade depende de transparência ativa e comprovação de resultados.
O Acre não precisa apenas de anúncios de emendas. Precisa de evidências. Se milhões foram destinados e pagos, é dever público do Senador Alan Rick mostrar, com dados acessíveis e verificáveis, que cada recurso público se converteu em benefício concreto.








