Animais transportados na BR-364 pertencem a criador de Rondônia que teve carga semelhante apreendida em Assis Brasil no ano passado
As lhamas e alpacas apreendidas pela Polícia Federal (PF) no Posto de Fiscalização da Tucandeira, na BR-364, em Rio Branco, pertencem ao empresário Wellington Vieira de Araújo, criador de animais exóticos em Alvorada do Oeste, Rondônia. O mesmo empresário já havia tido uma carga semelhante apreendida em setembro do ano passado, em Assis Brasil, no interior do Acre.
Na ocasião, os animais vindos do Peru ficaram retidos por 16 dias após a entrada no país ser barrada por falta de liberação na alfândega. Wellington denunciou o caso ao Ministério Público Federal do Acre (MPF/AC) e conseguiu uma liminar na Justiça para retirar os animais.
Agora, parte das lhamas apreendidas na última quarta-feira (20) seriam filhotes nascidos no rancho do empresário em Rondônia, enquanto os demais animais fariam parte da carga importada legalmente no ano passado, segundo ele.
“Tem uma lei que fala que esses animais são isentos de controle. Nasceram aqui em Alvorada do Oeste, são meus, já encaminhei a documentação para o juiz. Está tudo correto e guardamos seguir os trâmites da Justiça para a gente fazer a restituição”, afirmou Wellington à Rede Amazônica Acre.
O empresário mantém um rancho onde cria lhamas, alpacas, caprinos e ovinos. Ele afirma possuir autorização para importação dos animais e sustenta que toda a documentação foi apresentada às autoridades.
Segundo Wellington, a carga apreendida não estava entrando no Brasil, mas retornando de Brasiléia para Rondônia após uma tentativa de comercialização no Acre.
“O pessoal falou que não iria conseguir um lugar pra mim [na feira agropecuária]. Mandei os animais para o Acre, porque tinha procura, tinham clientes esperando para ver. Abriram espaço para mim na Rondônia Rural Show e pedi para retornar com elas para a feira”, declarou.
A apreensão ocorreu após o caminhão boiadeiro passar pelo posto fiscal sem apresentar documentação da carga e fugir da abordagem inicial, segundo a Polícia Militar. O veículo foi interceptado cerca de 20 quilômetros depois.
Os animais estavam sem Guia de Transporte Animal (GTA), documentação sanitária e autorização de importação no momento da fiscalização, conforme a Polícia Federal.
O delegado da PF, Luís Carlos, afirmou anteriormente que o transporte irregular poderia configurar contrabando, já que os animais são exóticos e não pertencem à fauna brasileira.
Wellington contesta a apreensão e diz que encaminhou os documentos necessários ainda durante a abordagem.
“Liguei para o delegado na hora da apreensão falando que os animais têm documentos. Ele ignorou, queria a nota fiscal de origem. Mandei com a data do ano passado, a nota fiscal de importação. Não quiseram, disseram que os animais eram ilegais”, afirmou.
Segundo o empresário, após a nacionalização da carga importada, os animais precisariam apenas de atestado veterinário para transporte dentro do território nacional.
“Alguns são da importação passada. A origem dele é importada, tenho autorização para fazer a importação, já fiz uma ano passado. Esses animais que estão presos lá [Acre] são nacionalizados, alguns no Brasil, oriundos da primeira importação, e outros nasceram em casa [em Rondônia]”, disse.
Animais seguem em abrigo provisório
As lhamas e alpacas continuam sob cuidados da ONG Patinha Carente em uma propriedade rural na Estrada de Porto Acre. Três mortes foram registradas desde a apreensão.
A presidente da ONG, Vanessa Facundes, informou que os animais passaram por avaliação veterinária realizada por um profissional do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
“Recebemos a visita de um veterinário, estão bem e estamos tentando uma parceria com a Ufac”, afirmou.
O empresário também questionou as condições do acolhimento provisório e afirmou que os animais necessitam de alimentação específica.
“Não está cuidando do jeito que deve ser. Aqui em casa esses animais comem alfafa, ração de qualidade, cuido de vários animais na minha estrutura”, declarou.
A 1ª Vara da Justiça Federal no Acre informou que a destinação dos animais deve ser definida ainda esta semana. O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) afirmou que o caso passou a ser tratado na esfera federal e que caberá ao Ministério da Agricultura definir as medidas sanitárias e administrativas aplicáveis.
O Ministério Público do Acre (MPAC) também acompanha o caso.
Origem andina
As lhamas são mamíferos originários da Cordilheira dos Andes e vivem principalmente em países como Peru, Bolívia, Chile e Argentina. Domesticadas há milhares de anos, costumam ser utilizadas para transporte de carga e produção de lã.
A criação desses animais no Brasil exige autorização e controle sanitário dos órgãos responsáveis.
Com informações do g1 Acre.







