Número de queimadas disparou em relação a julho, mas acumulado de 2026 ainda está abaixo do registrado no ano passado
O início do período mais seco do ano já começa a aparecer nos números das queimadas no Acre. Em agosto, o estado registrou 487 focos de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O volume é mais de oito vezes superior ao de julho, que terminou com 56 focos.
A diferença entre os dois meses representa uma alta de 769,6% e marca uma mudança significativa no comportamento registrado ao longo de 2026. Até julho, nenhum mês havia ultrapassado a marca de 100 focos.
Apesar da explosão registrada em agosto, o acumulado do ano ainda permanece abaixo do observado em 2025. Entre janeiro e o início de setembro, o Acre soma 594 focos, contra 752 contabilizados no mesmo período do ano passado.
O dado de agosto também precisa ser observado dentro da série histórica: embora tenha concentrado a maior parte das ocorrências de 2026 até agora, o mês teve o menor número de focos para agosto em 12 anos, conforme os registros do Inpe.
Fogo acompanha a mudança no clima
A escalada começou de forma gradual. O Acre teve apenas dois focos em janeiro, outros dois em fevereiro e nenhum registro em março. Em abril, foram novamente dois.
A partir de maio, os números passaram a crescer: 15 focos naquele mês, 20 em junho e 56 em julho. Em agosto, entretanto, houve um salto para 487 ocorrências.
O movimento coincide com a entrada no período de estiagem amazônica, quando a diminuição das chuvas e o ressecamento da vegetação aumentam as condições para propagação do fogo. Historicamente, agosto, setembro e outubro concentram uma parcela importante das queimadas registradas no estado.
E o início de setembro mantém o alerta. Dez focos foram identificados somente no primeiro dia do mês, segundo a plataforma de monitoramento.
Pressão sobre a floresta
A evolução dos focos ocorre paralelamente a outro indicador de pressão sobre a floresta acreana: o desmatamento.
Em julho, três municípios do estado — Feijó, Tarauacá e Sena Madureira — apareceram entre os dez que mais desmataram na Amazônia Legal, de acordo com levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Feijó ficou em segundo lugar no ranking, Tarauacá em terceiro e Sena Madureira em oitavo. O levantamento apontou ainda que o Acre respondeu por 22% do desmatamento detectado em toda a Amazônia Legal naquele mês, com 97 km² de floresta derrubada.
Os indicadores não significam que toda área desmatada seja posteriormente queimada, nem que todo foco esteja necessariamente associado ao desmatamento. São fenômenos distintos, mas que podem se sobrepor em territórios onde a abertura de áreas e o uso do fogo fazem parte da dinâmica de ocupação da terra.
Com setembro e outubro ainda pela frente — meses historicamente críticos para as queimadas —, os próximos registros vão mostrar se o salto de agosto foi uma concentração excepcional de focos ou o começo de uma temporada de fogo mais intensa no estado.







