Mini-indústria de café começa a operar em Porto Acre e beneficia 40 famílias produtoras

Estrutura financiada com R$ 400 mil em emendas parlamentares permite que beneficiamento seja feito no município, reduzindo custos e aumentando a renda dos agricultores

Uma nova etapa da produção cafeeira no Baixo Acre começou neste sábado (30) com a entrega de uma mini-indústria de beneficiamento de café no Ramal Boa União, no Projeto Tocantins, em Porto Acre. A estrutura deve beneficiar diretamente cerca de 40 famílias agricultoras da região e permitir que todo o processo de secagem e beneficiamento do grão seja realizado no próprio município.

O empreendimento foi viabilizado por meio de R$ 400 mil em emendas parlamentares destinadas pela ex-deputada federal Perpétua Almeida e pelo deputado estadual Edvaldo Magalhães, em parceria com a Associação de Moradores e Produtores Rurais do Ramal Boa União, Projeto Tocantins (Aprotac). Do total investido, R$ 300 mil foram destinados por Perpétua Almeida e R$ 100 mil por Edvaldo Magalhães.

A unidade conta com secador e descascador de café e busca solucionar um dos principais entraves enfrentados pelos produtores locais. Até a última safra, o café precisava ser transportado até Acrelândia para passar pelos processos de secagem e beneficiamento, o que elevava os custos de produção e reduzia a margem de lucro dos agricultores.

“É uma alegria entregar essa estrutura, que vai transformar a vida dos produtores de Porto Acre. O café é uma grande força de desenvolvimento da nossa região, e garantir o beneficiamento no município é assegurar que o suor de cada uma dessas 40 famílias se transforme em dinheiro no bolso e comida na mesa”, afirmou Perpétua Almeida durante a entrega.

O presidente da Aprotac, Abílio Caetano, destacou que a cafeicultura vem ganhando força na região e já ultrapassa a marca de um milhão de pés de café plantados no município.

“O custo de levar o café até Acrelândia para secagem engolia o nosso lucro. Agora, com essa mini-indústria, o que era gasto no transporte vai ficar com o produtor. O café está transformando a renda das famílias do Projeto Tocantins e fazendo com que elas permaneçam no campo. É uma cultura que deu certo”, disse.

Segundo ele, a redução dos custos operacionais e a rapidez no processamento devem contribuir para aumentar a rentabilidade das famílias que dependem da cultura cafeeira.

Para o deputado estadual Edvaldo Magalhães, a entrega representa a concretização de uma demanda construída junto aos produtores rurais da região.

“Esse é um sonho que começou lá atrás quando o Abílio nos procurou e falou dessa necessidade dos produtores e da vontade deles de plantarem café. De pronto, a Perpétua abraçou a causa e eu também. Hoje, dá um orgulho danado ver as pessoas melhorando de vida, ver uma ação dos nossos mandatos saindo do papel e servindo a comunidade”, afirmou.

Mais autonomia para os produtores

Entre os agricultores beneficiados está a produtora rural Natália Santos, moradora do Ramal Seringueira, também localizado no Projeto Tocantins. Ela acredita que a nova estrutura vai reduzir custos, facilitar o trabalho e ampliar as possibilidades de comercialização.

“Agora vai ficar bem melhor para nós, porque antes a gente tinha aquele trabalho de estender uma lona no terreiro, colocar o café, separar. Quando tinha tempo de chuva, a gente tinha que correr, recolher de novo, fechar. E com esse secador e essa descascadeira, vai ficar bem melhor. A gente passava um monte de dia para secar, agora em dois dias você seca, descasca. Sem contar também que a gente gastava para levar o café para fora para beneficiar. Se a gente quisesse armazenar, não podia. Agora temos a oportunidade de vender quando a gente quiser”, relatou.

Com a implantação da mini-indústria, Porto Acre fortalece sua participação na cadeia produtiva do café acreano e amplia as condições para que os produtores agreguem valor à produção sem precisar recorrer a estruturas de outros municípios.

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