Reginaria Bandeira da Silva, de 22 anos, estava desaparecida desde sexta-feira; suspeito indicou à polícia o local onde ocultou o corpo, encontrado em uma área de mata na Estrada de Porto Acre
O Acre registrou o 3º feminicídio apenas no mês de julho após a confirmação da morte de Reginaria Bandeira da Silva, de 22 anos, conhecida como Bel. A jovem, que estava desaparecida desde a madrugada da última sexta-feira (24), foi encontrada morta na manhã desta segunda-feira (27) em uma área de mata às margens do km 18 da Estrada de Porto Acre.
O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, que foi preso e confessou o crime.
Moradora do Conjunto Jorge Lavocat, em Rio Branco, Reginaria teve o desaparecimento amplamente divulgado por familiares nas redes sociais. Eles informaram que a jovem foi vista pela última vez usando um vestido vermelho e sandálias brancas, e pediam ajuda para localizá-la.

Segundo o delegado Cristiano Bastos, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as investigações sobre o desaparecimento começaram no domingo (26). A partir das diligências e da coleta de informações sobre os últimos passos da jovem, os investigadores chegaram ao ex-companheiro.
“Após o registro do desaparecimento, o Núcleo de Busca de Pessoas Desaparecidas da Delegacia de Homicídios iniciou as diligências para localizar a jovem, ouvimos familiares e levantamos informações sobre os últimos passos dela. Isso nos permitiu chegar ao suspeito”, afirmou o delegado.
Conforme Bastos, ao longo das investigações surgiram indícios de que Reginaria poderia ter sido vítima de feminicídio. Diante dessa hipótese, a DHPP passou a atuar em conjunto com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que assumiu a condução do caso.
O ex-companheiro permanece preso na Deam, em Rio Branco. Durante o interrogatório, ele confessou o crime e revelou aos policiais o local onde havia deixado o corpo da vítima.
A principal linha de investigação aponta que o assassinato foi motivado pelo término do relacionamento.
Apesar da confissão, a Polícia Civil informou que o corpo de Reginaria não apresentava sinais aparentes de ferimentos provocados por arma de fogo ou arma branca.
A causa da morte será esclarecida pelos exames periciais e pela necropsia realizada no Instituto Médico Legal (IML).
Equipes da Polícia Civil, da perícia criminal e do IML estiveram na área de mata para realizar os procedimentos de investigação, coleta de vestígios e remoção do corpo.
As investigações continuam para esclarecer a dinâmica do crime e reunir todos os elementos que subsidiarão o inquérito policial.
Terceiro feminicídio em menos de um mês
A morte de Reginaria é o terceiro caso de feminicídio registrado no Acre em julho, evidenciando a escalada da violência contra mulheres no estado.
O primeiro caso ocorreu em 5 de julho, na zona rural de Cruzeiro do Sul. Juliana Barbosa Cerqueira, de 44 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-marido, Aldemir Abreu de Oliveira, de 46 anos. Ela estava em processo de separação, possuía medida protetiva contra o agressor e havia decidido encerrar o relacionamento após descobrir uma traição. Após o crime, Aldemir tirou a própria vida.
No dia 6 de julho, menos de 48 horas depois, Maria Ferreira da Silva Almeida, de 49 anos, foi morta a facadas pelo marido, Osmar Pinheiro da Silva, de 58 anos, bombeiro militar da reserva, em uma residência localizada no km 27 da rodovia entre Manoel Urbano e Feijó. Segundo a Polícia Militar, o casal havia discutido momentos antes do crime. Após matar a esposa, Osmar entrou em um dos quartos da casa e também cometeu suicídio.
Canais de denúncia
Polícia Militar e emergência
- Disque 190 (situação de risco imediato)
Delegacias e atendimento especializado
- Delegacias especializadas no atendimento à mulher (endereços e horários variam conforme município; recomenda-se consultar a Secretaria de Estado da Mulher ou as prefeituras locais para detalhes)
Secretaria de Estado da Mulher (Semulher)
- Telefone (WhatsApp/ligação): (68) 99930-0420
- Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel, Rio Branco, AC
Disque denúncia nacional e proteção de direitos humanos
- Disque 100 (violação de direitos humanos, atendimento anônimo) — funciona em todo o Brasil
Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos
- WhatsApp: (61) 99656-5008 (linha de apoio e acolhimento nacional)
Força-tarefa de proteção à mulher — Patrulha Maria da Penha (PMAC)
- Contatos disponibilizados pela Polícia Militar do Acre (para orientação e acionamento de equipes especializadas):
(68) 99609-3901
(68) 99611-3224
(68) 99610-4372
(68) 99614-2935
Serviços de saúde com notificação compulsória
- Qualquer unidade de saúde — médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais têm obrigação legal de notificar casos suspeitos de violência.







