Criadora da marca Cores da Mata, Rodney Paiva Ramos representa o Acre na Jornada Exportadora do Artesanato 2026, que reúne empreendedores brasileiros e compradores do mercado europeu
Da Amazônia acreana para Paris, as sementes, os ouriços de castanha e a madeira reaproveitada ganham novos significados nas mãos da artesã Rodney Paiva Ramos. Criadora da marca Biojoias Cores da Mata, ela representa o Acre na Jornada Exportadora do Artesanato 2026, realizada nesta semana na capital francesa.
A programação começou nesta segunda-feira (7), e segue até quinta-feira (10), reunindo 20 artesãos, associações e cooperativas selecionados em diferentes regiões do Brasil. A iniciativa é promovida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e busca aproximar empreendimentos autorais brasileiros do mercado internacional.
Para Rodney, a participação representa uma oportunidade de levar a produção artesanal acreana a novos públicos e ampliar as possibilidades comerciais de seu trabalho.
“Pra mim é uma grande oportunidade de mostrar o artesanato acreano, um privilégio. E eu espero fechar bons negócios aqui em Paris”, afirma a artesã.
A Jornada Exportadora inclui seminários com especialistas, visitas técnicas e rodadas de negócios com compradores europeus. Os participantes também têm programação voltada à Maison&Objet, uma das principais feiras internacionais de decoração e design.

A presença de uma artesã que construiu sua trajetória no Acre também projeta, para além das peças, uma cadeia de saberes e materiais associados à Amazônia. No trabalho desenvolvido pela Cores da Mata, elementos da floresta que poderiam ser descartados ou permanecer sem valor comercial são transformados em peças de design autoral.
Natural de Borba, no Amazonas, Rodney chegou a Rio Branco em 2003, acompanhando o marido, Valdeci Neves, que havia sido transferido para um novo posto de trabalho.
Longe da família e sem exercer uma atividade profissional naquele período, encontrou no artesanato uma possibilidade de recomeçar. O que começou como uma nova atividade se transformou, ao longo dos anos, em uma trajetória marcada por reconhecimento nacional e internacional.
Em 2012, recebeu o Reconhecimento de Excelência da Unesco para Produtos Artesanais do Mercosul, durante evento realizado em Montevidéu, no Uruguai. Entre 62 produtos brasileiros selecionados, a peça “Cores da Mata” ficou em primeiro lugar na etapa inicial e conquistou a segunda colocação geral. Mais tarde, o nome passaria a identificar a marca criada pela artesã.
Rodney também conquistou o Prêmio Top 100 Sebrae de Artesanato, em 2016, e obteve destaque comercial na Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), uma das maiores do setor na América Latina.
No ano seguinte, venceu a etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.
Mais recentemente, seu trabalho foi incluído no Guia Homo Faber 2024, catálogo internacional dedicado à criatividade e ao artesanato contemporâneo e vinculado à Fundação Michelangelo para a Criatividade e o Artesanato, sediada em Genebra, na Suíça.

Amazônia transformada em design
As peças da Biojoias Cores da Mata são produzidas a partir de sementes amazônicas, ouriços de castanha e resíduos de madeira reaproveitada. A matéria-prima, marcada pelas formas e cores da floresta, é transformada em biojoias e objetos de design autoral.
Ao longo da trajetória, Rodney já levou sua produção para além das fronteiras brasileiras e exportou peças para países europeus, como Portugal e Inglaterra.
Agora, em Paris, a artesã volta a apresentar sua criação em um dos principais mercados de design e decoração do mundo. A expectativa é transformar a visibilidade conquistada pela produção amazônica em novas oportunidades comerciais — e mostrar que a floresta também pode atravessar fronteiras pela força de sua cultura, criatividade e trabalho.







