No Acre, biomédica alerta para cuidados durante o uso da tirzepatida

Com a redução acentuada do apetite provocada pelo medicamento, acompanhamento deve observar qualidade da alimentação, hidratação, sintomas gastrointestinais e possíveis perdas de massa magra

A redução acentuada do apetite durante o uso da tirzepatida exige atenção à alimentação, à hidratação e à preservação da massa muscular. O alerta é da biomédica esteta e bióloga Sylvania Silva Vilela, que atua na área de emagrecimento e suplementação.

Com o aumento da procura pelo medicamento também no Acre, a profissional destaca que o acompanhamento não deve se limitar aos números mostrados pela balança. A avaliação, segundo ela, precisa considerar a quantidade e a qualidade dos alimentos consumidos, os possíveis efeitos gastrointestinais e as necessidades individuais de cada paciente.

A tirzepatida é o princípio ativo do medicamento Mounjaro e atua em mecanismos relacionados aos hormônios GIP e GLP-1. Entre seus efeitos estão o aumento da saciedade, o auxílio no controle da glicose e o retardamento do esvaziamento gástrico.

Segundo Sylvania, a redução do apetite pode fazer com que algumas pessoas diminuam significativamente a quantidade de alimentos ingeridos.

“A quantidade de comida ingerida pode cair pela metade ou até mais. Com isso, também diminui o aporte diário de nutrientes”, explica.

A principal preocupação, segundo a biomédica, está na ingestão insuficiente de proteínas. Durante o tratamento, alguns pacientes relatam dificuldade para consumir carnes, ovos e outros alimentos proteicos devido à sensação prolongada de saciedade ou a desconfortos gastrointestinais.

Quando a alimentação não atende adequadamente às necessidades do organismo, a redução de peso pode envolver não apenas a diminuição da gordura corporal, mas também a perda de massa magra.

“O emagrecimento rápido pode ser um emagrecimento adoecido, porque envolve tanto a perda de gordura quanto a perda de massa muscular”, afirma.

A perda acentuada de massa muscular pode afetar a força, a disposição e o funcionamento metabólico do organismo. Entre os sinais que merecem atenção estão fadiga, indisposição, unhas quebradiças, queda de cabelo e redução das medidas dos braços e das pernas.

Esses sintomas, porém, não confirmam isoladamente a existência de deficiência nutricional. A identificação das causas deve considerar avaliação clínica e, quando necessário, exames laboratoriais.

Suplementação não deve ser automática

Apesar dos riscos relacionados à redução da ingestão alimentar, a suplementação não é obrigatória para todas as pessoas que utilizam tirzepatida. A necessidade de complementação depende da alimentação, das condições de saúde, dos sintomas e da avaliação individual.

Sylvania explica que, quando a pessoa não consegue atingir a quantidade adequada de proteína por meio da alimentação, pode ser avaliada a necessidade de complementação por um profissional habilitado.

“A suplementação precisa ser acompanhada por um profissional que entenda de fisiologia, dosagem e manejo nutricional”, orienta.

O mesmo cuidado vale para vitaminas e minerais. Mesmo produtos comercializados sem receita não devem ser consumidos indiscriminadamente, já que o excesso de determinados nutrientes pode provocar efeitos indesejados ou interagir com medicamentos.

Outro ponto destacado pela profissional é a constipação intestinal. Alterações no funcionamento do sistema digestivo podem ocorrer durante o uso do medicamento, especialmente entre pessoas que já apresentavam trânsito intestinal mais lento.

As fibras podem contribuir para o funcionamento intestinal, mas precisam estar associadas à ingestão adequada de líquidos.

“O uso de fibras é uma faca de dois gumes: precisa ser acompanhado de hidratação. Se a pessoa consumir psyllium e não beber água suficiente, pode aumentar ainda mais a constipação”, ressalta.

Durante episódios de diarreia ou vômitos, também existe risco de desidratação e perda de eletrólitos. Fraqueza intensa, tontura, dificuldade para ingerir líquidos, redução da urina ou sintomas persistentes são sinais que exigem avaliação profissional.

Uso deve ocorrer com indicação e acompanhamento adequados

A tirzepatida é um medicamento sujeito a prescrição e seu uso deve ocorrer com indicação e acompanhamento de profissional legalmente habilitado para prescrever e conduzir o tratamento, conforme as regras sanitárias e profissionais aplicáveis.

Além do medicamento, especialistas ressaltam a importância de uma estratégia alimentar individualizada e da prática de atividade física compatível com as condições de cada pessoa, especialmente para reduzir o risco de perda de massa muscular durante o emagrecimento.

Sylvania Silva Vilela possui registro profissional CRBM 11148 e atua, segundo sua apresentação profissional, nas áreas de emagrecimento e suplementação.

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