Decreto assinado pelo prefeito Alysson Bestene tem validade de 180 dias e aponta impactos da estiagem sobre agricultura familiar, pecuária, pesca e serviços públicos.
A Prefeitura de Rio Branco decretou situação de emergência nesta terça-feira (11) em razão da seca que atinge o município. A medida, assinada pelo prefeito Alysson Bestene e publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), terá validade de 180 dias e prevê ações emergenciais para reduzir os impactos da estiagem, principalmente nas comunidades rurais.
O decreto ocorre menos de duas semanas depois de o governo do Acre também reconhecer situação de emergência em todo o estado devido à seca severa. Em julho, a prefeitura havia decretado estado de alerta para o enfrentamento da estiagem.
Segundo o documento municipal, a redução das chuvas já provoca impactos sociais, econômicos e ambientais. Entre os setores mais afetados estão a agricultura familiar, a pecuária e a pesca artesanal. A estiagem também compromete o funcionamento de escolas rurais, unidades de saúde e outros serviços públicos essenciais.
Levantamentos técnicos citados pela prefeitura apontam aumento da necessidade de abastecimento emergencial de água potável por caminhões-pipa. O cenário, segundo o decreto, elevou a vulnerabilidade das populações atingidas e fez com que os danos e prejuízos ultrapassassem a capacidade habitual de resposta da administração municipal.
Com o reconhecimento da emergência, a prefeitura afirma ser necessário o apoio complementar dos governos estadual e federal.
A falta de água já atinge moradores de dezenas de comunidades rurais da capital. Cerca de 40 localidades começaram a receber água por meio de caminhões-pipa dentro da Operação Estiagem.
O abastecimento ocorre duas vezes por semana e a expectativa da prefeitura é distribuir mais de 40 milhões de litros de água durante o período de seca. A Defesa Civil Municipal também monitora a área urbana diante da possibilidade de pontos da capital enfrentarem problemas de abastecimento.
Uma das comunidades atendidas é a Vila Manoel Marques, localizada no km 14 da Rodovia Transacreana. Segundo a representação comunitária citada pela prefeitura, os moradores enfrentam anualmente a redução da disponibilidade de água com o esgotamento de açudes e poços. O problema, de acordo com a comunidade, alcança cerca de 1,6 mil famílias.
O decreto estabelece como estratégias para enfrentar os efeitos da estiagem:
- abastecimento emergencial de água potável às populações afetadas;
- assistência humanitária às famílias atingidas;
- apoio às atividades agropecuárias e aos meios de subsistência das comunidades rurais;
- manutenção do funcionamento das unidades escolares e de saúde;
- proteção da saúde pública e fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica;
- monitoramento permanente da evolução do desastre.
A Defesa Civil também prepara levantamentos sobre eventuais perdas na produção agrícola e pecuária e acompanha as comunidades rurais onde a crise hídrica vem se agravando.
O cenário de seca ocorre apesar de Rio Branco ter registrado mais chuva no primeiro semestre de 2026 do que no mesmo período do ano passado.
Entre janeiro e junho, foram acumulados 1.557,5 milímetros de chuva na capital, volume 18% superior aos 1.321,2 milímetros registrados nos primeiros seis meses de 2025.
A distribuição das chuvas, porém, foi irregular. Segundo a Defesa Civil Municipal, parte significativa do volume acumulado foi concentrada em episódios isolados de chuva intensa. Por isso, o maior volume registrado no primeiro semestre não significa necessariamente uma redução dos riscos associados à estiagem no segundo semestre.
Com o avanço do período seco, a redução das chuvas já começa a se refletir nos níveis dos rios e igarapés e na capacidade de armazenamento de água em açudes e represas.
El Niño aumenta preocupação
A possibilidade de influência do fenômeno El Niño nos próximos meses acrescenta preocupação ao cenário. A previsão de temperaturas mais elevadas e redução das chuvas pode prolongar o período seco no Acre.
A combinação de calor intenso e menor volume de precipitação também pode aumentar o risco de incêndios florestais, piorar a qualidade do ar e ampliar os impactos sobre a saúde da população e os ecossistemas.
Entre os sinais já observados pela Defesa Civil estão a ausência prolongada de chuvas, ondas de calor, redução do nível de rios e igarapés e diminuição da capacidade de armazenamento de água em açudes e represas.
Governo do Acre também decretou emergência
No dia 3 de agosto, o governo do Acre decretou situação de emergência por causa da seca severa no estado. A medida também tem validade de 180 dias.
A decisão estadual ocorre em um contexto de agravamento da estiagem e de preparação das estruturas públicas para responder aos impactos sobre o abastecimento de água, produção rural, saúde e meio ambiente.
O Ministério Público do Acre (MP-AC) também recomendou a antecipação de medidas preventivas por órgãos estaduais e municipais, incluindo ações de monitoramento e proteção das populações mais vulneráveis.
Diante do cenário, a orientação das autoridades é para que a população mantenha a hidratação, evite exposição ao sol nos horários mais quentes e redobre os cuidados com crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.







