Ex-governador foi alvo de buscas nesta terça-feira (22), em Rio Branco.
O ex-governador do Acre e candidato ao Senado Gladson Camelí (Progressistas) foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (22), em Rio Branco. Os agentes estiveram no condomínio Recanto Verde, onde ele mora, e apreenderam o celular do político e três veículos de propriedade dele.
A operação também incluiu buscas em endereços ligados a pessoas próximas ao ex-governador. Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre o número de investigados, o motivo exato da ação ou os possíveis crimes apurados.
Em nota, a defesa de Gladson Camelí afirmou que o candidato e sua assessoria jurídica estão colaborando com a Justiça. “Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram à disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência”, afirmou o advogado Erick Venâncio.
Apesar da disposição em colaborar, a defesa questionou a realização da operação às vésperas das eleições e classificou as medidas como abusivas. Segundo o advogado, “causa estranheza que, às vésperas do processo eleitoral, seja deflagrada uma operação” com informações que, de acordo com ele, teriam sido repassadas antecipadamente a influenciadores, blogs e sites ligados a adversários políticos.
A defesa afirmou ainda que a operação teria como objetivo atingir a candidatura de Camelí. “Continuam as medidas que consideramos abusivas e de clara perseguição com o intuito de influenciar o resultado eleitoral”, diz a nota.
O advogado também citou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1017. Segundo a defesa, a decisão “proíbe nos 15 dias que antecedem a eleição esse tipo de medida cautelar contra candidatos a cargos majoritários”.
A defesa também sustenta que provas utilizadas no processo que resultou na condenação de Camelí teriam sido produzidas de forma ilegal. “Conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a alta corte do país, as provas do processo que acusa Gladson Camelí foram comprovadamente produzidas de forma ilegal”, afirmou.
Esta matéria está em atualização.
Condenação no STJ e candidatura indeferida
A operação ocorre em meio a um cenário de forte repercussão política e judicial envolvendo o ex-governador. Em maio deste ano, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Camelí a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A condenação também determinou o pagamento de multa e de indenização ao Estado do Acre no valor de R$ 11.785.020,31.
A ação penal está relacionada à Operação Ptolomeu, que investigou suspeitas de desvio de recursos públicos, fraudes em licitações e contratos no Acre. Segundo a acusação apresentada no processo, o esquema teria provocado prejuízo aos cofres públicos. A defesa de Camelí contestou as acusações e questionou a validade de provas utilizadas na investigação.
Em 11 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) indeferiu, por unanimidade, o registro de candidatura de Camelí ao Senado.
A decisão acolheu uma impugnação da Procuradoria Regional Eleitoral, que apontou a inelegibilidade do ex-governador com base na Lei da Ficha Limpa, em razão da condenação por órgão colegiado.
A decisão é passível de recurso e, enquanto não houver definição final, ele permanece na condição de candidato sub judice.
Mesmo diante do indeferimento do registro, Camelí aparece na liderança das intenções de voto para o Senado em pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (21). No cenário consolidado, que considera o primeiro e o segundo voto dos entrevistados, ele registra 24%, seguido pelo senador Márcio Bittar (PL), com 21%. Jorge Viana (PT) e Mara Rocha (Republicanos) aparecem com 15% cada.
Nota do ex-governador Gladson Camelí na íntegra
Causa estranheza que, às vésperas do processo eleitoral, seja deflagrada uma operação na qual alguns influenciadores, blogs e sites de militantes a serviço de adversários tiveram informações e acesso antecipado para noticiar de forma sensacionalista e pejorativa com o claro interesse de atingir e prejudicar a imagem da candidatura de Gladson Camelí, sem que ele ou seus advogados sequer tivessem acesso às razões da diligência.
Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram a disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência. É fundamental destacar que, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a alta corte do país, as provas do processo que acusa Gladson Camelí foram comprovadamente produzidas de forma ilegal.
Ainda assim, continuam as medidas que consideramos abusivas e de clara perseguição com o intuito de influenciar o resultado eleitoral. Prova disso é o descumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal da ADPF 1017 que proíbe nos 15 dias que antecedem a eleição esse tipo de medida cautelar contra candidatos a cargos majoritários. A lei deveria servir para todos com a missão de proteger, não para perseguir e intimidar.
Confiamos na Justiça. Mas acima de tudo, confiamos em Deus e na sabedoria do eleitor acreano que está atento ao uso eleitoreiro das nossas instituições para perseguir e tentar influenciar o resultado das eleições.
Erick Venâncio
Assessoria Jurídica







