Perpétua Almeida e Edvaldo Magalhães são os únicos eleitos da esquerda em um Acre bolsonarista

Deputada federal e deputado estadual do PCdoB foram os candidatos mais votados da Federação Brasil da Esperança nas respectivas disputas; resultado ocorre em um estado que deu 64,56% dos votos a Flávio Bolsonaro e elegeu dois senadores de partidos alinhados à direita

As eleições deste domingo (4) mantiveram o Acre entre os estados brasileiros onde a direita e o bolsonarismo demonstram maior força eleitoral, mas também garantiram à esquerda duas cadeiras no Legislativo. Perpétua Almeida (PCdoB) foi eleita deputada federal com 15.800 votos, enquanto Edvaldo Magalhães (PCdoB) conquistou um novo mandato de deputado estadual com 9.273 votos.

Os dois foram os candidatos mais votados da Federação Brasil da Esperança, formada por PCdoB, PT e PV, nas respectivas disputas.

O resultado coloca Perpétua e Edvaldo como os únicos eleitos identificados diretamente com a esquerda entre as bancadas que representarão o Acre na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa a partir de 2027.

Na disputa presidencial, o Acre deu 64,56% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, contra 28,73% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo os resultados divulgados com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O desempenho mantém uma característica histórica recente do eleitorado acreano. Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu 70,30% dos votos válidos no segundo turno no estado, contra 29,70% de Lula. No primeiro turno daquele ano, Bolsonaro já havia alcançado 62,50%, enquanto Lula ficou com 29,26%.

No Senado, as duas vagas em disputa também ficaram com candidatos de partidos alinhados ao campo político de Bolsonaro. O Acre elegeu Márcio Bittar (PL), com 223.972 votos, e Mara Rocha (Republicanos), com 157.104. Os dois se juntam a Alan Rick (Republicanos), que já possui mandato até 2031. Com isso, as três cadeiras do estado no Senado estarão ocupadas por parlamentares de partidos posicionados à direita do espectro político.

Câmara terá apenas uma cadeira da esquerda

A composição da bancada acreana na Câmara dos Deputados também evidencia o tamanho do espaço conquistado por Perpétua.

Dos oito eleitos, o PP e o União Brasil ficaram com duas cadeiras cada. MDB, Republicanos, PCdoB e PL elegeram um deputado cada. Perpétua foi a sétima mais votada, com 15.800 votos, atrás de Socorro Neri (PP), Dr. Fábio Rueda (União), Coronel Ulysses (União), Pedro Longo (MDB), Roberto Duarte (Republicanos) e Zé Adriano (PP).

A eleição também marca o retorno de Perpétua à Câmara dos Deputados. Professora e liderança histórica do PCdoB no Acre, Perpétua já exerceu quatro mandatos como deputada federal. Sua trajetória política começou nos movimentos comunitário e sindical e inclui passagens pelo Ministério da Defesa e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Filha de seringueiro e caçula de uma família de 15 irmãos, ela construiu sua atuação política ligada a temas como desenvolvimento regional, direitos dos trabalhadores, Amazônia e povos amazônicos.

Edvaldo é o único representante do campo progressista na Aleac

Na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Edvaldo Magalhães também garantiu a única cadeira do PCdoB e da Federação Brasil da Esperança.

Ele recebeu 9.273 votos, equivalentes a 1,96% dos votos válidos, e ficou na 18ª posição entre os 24 deputados estaduais eleitos.

A composição da próxima legislatura mostra o predomínio de partidos de direita e centro-direita. O PP terá cinco deputados, enquanto União Brasil e PL terão quatro cada. Republicanos ficará com três cadeiras; MDB e PSD terão duas cada. PDT, Novo, PCdoB e PSDB elegeram um parlamentar cada.

Nesse quadro, Edvaldo será o único parlamentar eleito pelo PCdoB na Casa. Sua permanência mantém no Parlamento estadual uma liderança ligada ao movimento sindical e às pautas dos trabalhadores e dos serviços públicos.

Resultado ocorre em um estado dominado pela direita

A eleição dos dois comunistas contrasta com o resultado das principais disputas majoritárias no Acre.

Para o governo estadual, nenhum candidato identificado com a esquerda chegou ao segundo turno. Mailza Assis (PP) terminou em primeiro lugar, com 49,76% dos votos válidos, e Alan Rick (Republicanos) ficou em segundo, com 32,27%. Os dois disputarão o governo no dia 25 de outubro.

O candidato do PSB, Thor Dantas, foi o nome mais próximo do campo progressista na disputa e terminou com 7,50% dos votos. O candidato do PCB, Eudo Raffael, teve 0,16%.

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