Intercept revela mensagens que ligam Flávio Bolsonaro a banqueiro acusado de fraude bilionária

Reportagem aponta que dono do Banco Master teria repassado ao menos R$ 61 milhões para financiar filme sobre Jair Bolsonaro; senador nega envolvimento

O site Intercept Brasil publicou nesta quarta-feira (13) uma reportagem que revela mensagens, documentos e comprovantes bancários que apontariam uma relação financeira entre integrantes da família Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em novembro de 2025 acusado de operar um esquema de fraude que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo a publicação, o senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou uma mensagem a Vorcaro pelo whatsapp em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o parlamentar, de acordo com os documentos obtidos pelo Intercept.

Vorcaro foi preso no dia seguinte enquanto tentava deixar o país. Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

A reportagem afirma que as mensagens fazem parte de uma negociação para o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme os documentos revelados, Vorcaro teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões ao projeto, o equivalente, à época, a cerca de R$ 134 milhões.

De acordo com o Intercept, ao menos US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — já haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas à produção do longa-metragem.

Os registros incluem um cronograma de pagamentos, comprovantes bancários e cobranças relacionadas às parcelas previstas para o projeto audiovisual. A reportagem afirma, no entanto, que não há evidências de que os demais repasses tenham sido concluídos.

Ainda segundo o veículo, as negociações teriam sido conduzidas diretamente por Flávio Bolsonaro, com participação do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias, ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro.

A publicação destaca que os documentos revelam “profundos laços financeiros” entre o clã Bolsonaro e o banqueiro, relação que vinha sendo negada publicamente pelo senador.

Em março deste ano, após a divulgação de que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, havia doado R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio declarou à CNN que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”.

Na mesma ocasião, o senador afirmou que “essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita” e classificou o caso como um “grande esquema de roubalheira que está dando nojo a todo o país”.

Questionado presencialmente pelo Intercept nesta quarta-feira sobre o suposto financiamento do filme, Flávio respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, segundo a reportagem, o parlamentar riu e deixou o local onde concedia entrevista, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Intercept informou que procurou Flávio Bolsonaro anteriormente por telefone, whatsapp e e-mail, mas não obteve retorno até a publicação da matéria. A defesa de Daniel Vorcaro também foi acionada e não respondeu. Eduardo Bolsonaro e Mario Frias igualmente não se manifestaram.

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