Cooperativa do Juruá abre mercado para café acreano no Sul e Sudeste e impulsiona agricultura familiar

Primeiras vendas interestaduais somam 1,8 mil sacas e consolidam novo momento para a cafeicultura do Acre, com geração de renda e empregos no campo

A cafeicultura acreana alcançou um marco histórico com a abertura do mercado para o Sul e o Sudeste do país. A Cooperativa dos Cafeicultores do Vale do Juruá (Coopercafé), sediada em Mâncio Lima, realizou a primeira venda de café produzido e beneficiado no Acre para empresas de fora da Amazônia.

Em pouco mais de uma semana, a cooperativa comercializou 1,8 mil sacas do produto, fortalecendo a produção regional e ampliando as oportunidades para agricultores familiares.

A primeira negociação ocorreu na semana passada, com a venda de 48 mil quilos de café, o equivalente a 800 sacas de 60 quilos. Todo o produto foi processado no Complexo Industrial do Café, em Mâncio Lima. A compradora foi a Cafeeira Paraná Comércio, Exportação e Importação de Café Ltda, sediada em Maringá (PR).

Na última segunda-feira (15), um segundo carregamento, também com 800 sacas, deixou o Acre com destino ao Espírito Santo, consolidando a entrada definitiva do café acreano em importantes polos da cafeicultura nacional.

O presidente da Coopercafé, Jonas Lima, afirmou que a abertura desse mercado representa um divisor de águas para a produção local.

“O caminho abriu, agora, para lá. Eles já vão comprar mais 800 sacas. Já será o segundo carregamento. Abriu a porta para lá agora. Com essa venda aí, entre para o Acre e Rondônia, nós já vendemos 9 mil sacas de café, de fevereiro para cá. Toda semana, nós vendemos café”, disse.

Segundo Jonas, o crescimento da atividade também pode ser medido no campo. Apenas no Vale do Juruá já existem cerca de cinco milhões de pés de café plantados, distribuídos em aproximadamente dois mil hectares.

Fundada em 2021, a Coopercafé reúne atualmente 182 cooperados, a maioria formada por agricultores familiares. A expectativa é ampliar esse número para cerca de 290 associados após a próxima assembleia.

“Vai ingressar, com a assembleia, mais cento e pouco, vai ficar cerca de 290 cooperados”, afirmou.

Geração de renda e empregos

Além da expansão comercial, Jonas Lima destaca que a cafeicultura tem se consolidado como uma importante alternativa para geração de emprego e renda nas comunidades rurais do Juruá.

Segundo ele, diferentemente de outras atividades agropecuárias, o cultivo do café demanda maior quantidade de mão de obra, especialmente durante a colheita.

“O que chama a atenção aqui é a geração de emprego na cultura do café. É diferente do boi. Você cria mil bois, você tem um cara lá cuidando. Com três mil pés de café, você já coloca cinco ou seis pessoas para trabalhar na época da colheita. A geração de emprego aqui é gigantesca”, ressaltou.

Ao comentar os avanços da cadeia produtiva, Jonas também reconheceu o apoio recebido ao longo dos últimos anos para fortalecer a atividade no Acre. Segundo ele, o Complexo Industrial do Café de Mâncio Lima foi viabilizado a partir da atuação da ex-deputada federal Perpétua Almeida na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Coopercafé. Ele também destacou o apoio do deputado estadual Edvaldo Magalhães às iniciativas voltadas à agricultura familiar.

“A gente está fazendo aí uma coisa, junto com a Perpétua e o Edvaldo, mudando a vida das pessoas da Agricultura Familiar. É isso que estamos fazendo: trabalhando pelo pequeno produtor. O grande pode plantar lá, mas nós trabalhamos com o pequeno.”

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