Nenhuma mulher foi eleita para as 24 cadeiras da Aleac neste domingo (4); resultado ocorre em um estado que registrou a maior taxa de feminicídios do país em 2025
O Acre terá, a partir de 2027, uma Assembleia Legislativa formada exclusivamente por homens. Nenhuma mulher foi eleita para uma das 24 cadeiras da Casa nas eleições deste domingo (4), resultado que reduz a zero uma representação que já era minoritária e ocorre em um estado que registrou, em 2025, a maior taxa de feminicídios do país.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Acre teve 3,2 feminicídios para cada grupo de 100 mil mulheres em 2025, a maior taxa entre as unidades da Federação. Foram 14 mulheres assassinadas em crimes classificados como feminicídio, ante oito casos registrados em 2024. A taxa acreana ficou mais que duas vezes acima da média nacional, de 1,43 por 100 mil mulheres.
O resultado das urnas aprofunda um cenário de baixa presença feminina na política estadual. Nas eleições de 2022, três mulheres haviam conquistado cadeiras na Assembleia: Antonia Sales (MDB), Maria Antônia (PP) e Michelle Melo. Nenhuma delas conseguiu se reeleger em 2026. Com isso, as 24 vagas da próxima legislatura serão ocupadas por homens.
A queda significa que a presença feminina, que correspondia a 12,5% da composição da Aleac na atual legislatura, chegará a 0% a partir de 2027.
Estado que mais mata mulheres
A ausência de mulheres no Legislativo estadual ganha outra dimensão diante do histórico de violência contra a população feminina no Acre.
O levantamento mais recente do FBSP mostra que o estado passou de uma taxa de 1,8 feminicídio por 100 mil mulheres em 2024 para 3,2 em 2025, uma alta de 74,3%. O Acre aparece à frente de Rondônia, com taxa de 2,9, e Mato Grosso do Sul, com 2,7.
O próprio Ministério das Mulheres classificou a situação acreana como grave durante uma agenda realizada no estado em 2025. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicaram quatro feminicídios e 40 tentativas de feminicídio somente entre janeiro e junho daquele ano.
Os números também indicam que a violência não se resume aos casos que terminam em morte. Dados da Polícia Civil do Acre apontam 55 tentativas de feminicídio em 2025, contra 54 no ano anterior.
Os dados de 2026 mostram que os casos continuam sendo registrados. Entre janeiro e agosto, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio no Acre, conforme os dados mais recentes do do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Três casos ocorreram em julho e um em agosto.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou, ainda, 21 tentativas de feminicídio no Acre no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Polícia Civil citados em levantamento sobre a violência contra as mulheres no estado.
É nesse cenário que a nova composição da Aleac chama atenção. A Assembleia será responsável, entre outras atribuições, por discutir e aprovar leis, orçamento e políticas públicas estaduais, além de fiscalizar as ações do Executivo. A partir de 2027, nenhuma mulher terá uma cadeira no plenário para participar diretamente dessas decisões.
A ausência feminina na Assembleia também contrasta com o peso eleitoral das mulheres. Elas são maioria do eleitorado brasileiro, mas continuam sub-representadas nos espaços de decisão política.







