Síndrome Respiratória Aguda Grave atinge maior nível em três anos no Acre, com quase 2 mil internações

Boletim da Sesacre aponta 1.999 internações até a semana epidemiológica 28; crianças de até 9 anos e idosos seguem como os grupos mais afetados pelas formas graves da doença

O Acre registrou o maior número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) dos últimos três anos. Entre as semanas epidemiológicas 1 e 28 de 2026, foram contabilizadas 1.999 internações, superando os 1.732 casos registrados no mesmo período de 2024 e os 1.481 de 2025, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).

O aumento ocorre em um cenário de maior circulação simultânea de vírus respiratórios e levou o governo do Estado a decretar situação de emergência em saúde pública no dia 3 de junho. A medida tem validade de 90 dias e busca ampliar a capacidade de atendimento da rede hospitalar diante da pressão causada pelo crescimento das internações.

Apesar da alta nos casos graves, o boletim mostra que os atendimentos por síndrome gripal — relacionados aos quadros leves — diminuíram. Em 2026, foram registradas 13.034 consultas, contra 16.506 em 2025 e 15.211 em 2024. Os dados indicam que, embora menos pessoas tenham procurado atendimento por sintomas gripais, uma parcela maior evoluiu para formas graves que exigiram hospitalização.

As crianças continuam sendo o grupo mais atingido pelas formas graves da doença. Entre as internações registradas neste ano, a maior concentração ocorreu entre crianças de 2 a 4 anos, com 411 casos. Em seguida aparecem crianças de 5 a 9 anos (370), menores de 2 anos (308) e pessoas com 60 anos ou mais (377).

Segundo a Sesacre, esses grupos permanecem como os mais vulneráveis às complicações causadas pelas infecções respiratórias e demandam maior atenção dos serviços de saúde.

O monitoramento epidemiológico aponta que a transmissão das síndromes respiratórias ficou concentrada no primeiro semestre, especialmente entre as semanas epidemiológicas 13 e 23, período correspondente ao fim de março e aos meses de abril, maio e junho.

O pico das internações ocorreu na semana epidemiológica 22, quando foram registrados 103 casos. Nas semanas seguintes, o boletim identificou tendência de desaceleração.

Rinovírus lidera circulação de vírus respiratórios

As análises laboratoriais mostram que o rinovírus permanece como o principal agente respiratório identificado no estado em 2026, com 184 detecções.

Também apresentam circulação significativa o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por 64 confirmações, além de diferentes subtipos do vírus Influenza A.

De acordo com a Sesacre, um dos diferenciais deste ano é a circulação simultânea de diversos vírus respiratórios, fator que contribui para o aumento da complexidade do cenário epidemiológico.

Rio Branco concentra mais de 40% das internações

A Regional de Saúde do Baixo Acre e Purus concentrou 58,48% de todos os casos registrados no estado, com 1.169 notificações.

Rio Branco respondeu sozinho por 856 internações, o equivalente a 42,8% do total estadual. Na sequência aparecem Cruzeiro do Sul (292), Marechal Thaumaturgo (159), Feijó (133) e Mâncio Lima (101).

Segundo a Sesacre, a concentração de casos na capital ocorre porque Rio Branco abriga hospitais de referência que recebem pacientes encaminhados de diversos municípios acreanos.

Mortes aumentam entre crianças menores de 2 anos

Embora as internações tenham alcançado o maior patamar dos últimos três anos, o número total de mortes por SRAG apresentou redução.

Até a semana epidemiológica 28, o Acre contabilizou 52 óbitos, contra 101 registrados em 2025 e 151 em 2024.

Entre idosos com 60 anos ou mais, houve queda expressiva nas mortes: foram 87 óbitos em 2024, 46 em 2025 e 17 neste ano.

Em contrapartida, o boletim aponta aumento das mortes entre crianças menores de 2 anos. Foram registrados seis óbitos em 2024, sete em 2025 e 13 em 2026, indicando maior impacto da doença nessa faixa etária.

Diante do cenário, a Sesacre reforça que a vacinação continua sendo a principal estratégia para prevenir casos graves e reduzir internações.

A recomendação é que crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas mantenham a imunização contra a gripe em dia. O boletim também orienta a adoção de medidas preventivas, como higiene frequente das mãos, etiqueta respiratória e uso de máscaras por profissionais de saúde e pessoas com sintomas respiratórios.

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