Acre registra mais de 1,5 mil casos de estupro de vulnerável em pouco mais de dois anos

Dados da Polícia Civil revelam alta incidência de violência sexual contra crianças e adolescentes; maioria das vítimas é do sexo feminino e tem entre 12 e 17 anos

No Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, lembrado nesta segunda-feira (18), dados divulgados pela Polícia Civil (PC-AC) expõem a dimensão da violência sexual contra crianças e adolescentes no Acre. Entre 2024 e março de 2026, o estado registrou 1.534 casos de estupro de vulnerável, crime que atinge principalmente meninas e adolescentes.

Segundo o relatório comparativo da Polícia Civil, foram contabilizados 759 casos de estupro de vulnerável em 2024, 652 em 2025 e 123 ocorrências apenas nos três primeiros meses de 2026. Embora os números deste ano sejam parciais, o estudo aponta que os registros seguem elevados tanto na capital quanto no interior acreano.

O levantamento mostra ainda aumento nos registros de estupro contra crianças e adolescentes em geral. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram registradas 27 ocorrências, crescimento de 50% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 18 vítimas.

Já os casos classificados especificamente como estupro de vulnerável apresentaram redução de 28,1% na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. Ainda assim, a quantidade de ocorrências permanece elevada, com 123 registros até março deste ano.

Pelo Código Penal Brasileiro (CPB), estupro de vulnerável é o crime praticado contra pessoas incapazes de consentir validamente com a relação sexual, como crianças, adolescentes menores de 14 anos e pessoas com deficiência. Trata-se de crime considerado hediondo e de ação penal pública incondicionada.

Interior concentra maior número de registros

Os municípios do interior do Acre concentram a maior parte dos casos registrados no período analisado. Em 2024, foram 462 ocorrências fora da capital. Em 2025, o número caiu para 422 e, em 2026, até março, já somava 69 casos.

Na capital acreana, os registros também chamam atenção. Rio Branco contabilizou 297 casos em 2024, 230 em 2025 e 54 nos primeiros três meses deste ano.

Entre os municípios com maiores índices aparecem Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá. Em 2024, Rio Branco liderou com 297 registros, seguida por Cruzeiro do Sul, com 97, e Tarauacá, com 58. Em 2025, Tarauacá ultrapassou Cruzeiro do Sul e registrou 61 casos, enquanto o município do Juruá teve 58.

As regionais de Rio Branco, Bujari e Porto Acre, além das regiões do Juruá e Tarauacá/Envira, concentram os maiores índices de ocorrências, segundo o relatório.

Maioria das vítimas é adolescente e do sexo feminino

Os dados revelam um padrão recorrente nas notificações. A maioria das vítimas de estupro de vulnerável é do sexo feminino. Em 2024, foram 668 meninas vítimas desse tipo de violência. Em 2025, o número chegou a 589 e, até março de 2026, já havia 103 registros envolvendo vítimas do sexo feminino.

Entre os meninos, os registros foram menores, mas igualmente alarmantes. O relatório contabilizou 41 vítimas em 2024, 41 em 2025 e 17 em 2026.

A faixa etária entre 12 e 17 anos concentra o maior número de ocorrências. Em 2024, foram 431 vítimas nessa idade. Em 2025, o número chegou a 393. Já em 2026, até março, houve 73 registros. Entre crianças de 0 a 11 anos, foram 328 casos em 2024, 259 em 2025 e 50 neste ano.

No relatório, a Polícia Civil destaca que os dados reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção e proteção.

“Os dados apresentados refletem o cenário do período analisado, constituindo importante subsídio para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes no Estado do Acre. Observa-se maior incidência entre vítimas mais jovens, especialmente do sexo feminino, o que reforça a necessidade de fortalecimento das ações de prevenção, proteção e acompanhamento”, diz trecho do estudo.

Como denunciar casos de violência sexual contra crianças e adolescentes

Casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados por diferentes canais:

Polícia Militar – 190, em situações de risco imediato;

Samu – 192, para emergências;

Delegacias especializadas ou qualquer delegacia de polícia;

Disque 100, com denúncias anônimas de violações de direitos humanos;

Conselhos tutelares;

Ministério Público;

Profissionais de saúde, que têm obrigação legal de notificar casos suspeitos;

WhatsApp do Ministério dos Direitos Humanos: (61) 99656-5008;

Atendimento em Libras por videochamada.

Com informações do g1 Acre.

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