FUGIU: Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil após derrota eleitoral e descumprido ordem de Moraes

Segundo o ICL Notícias, senador viajou para a Argentina e seguiu em direção aos Estados Unidos. PF havia apontado risco de fuga, e ministro do STF determinou a entrega do passaporte e a proibição de deixar o país

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República, teria deixado o Brasil na noite de segunda-feira (26), menos de 48 horas após o encerramento da votação do segundo turno das eleições. Segundo o ICL Notícias, ele teria viajado para a Argentina e, de lá, seguido em direção aos Estados Unidos. A informação foi confirmada ao veículo pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e, segundo a Reuters, por uma fonte do governo norte-americano.

A suposta saída do país ocorreu apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega do passaporte, o cancelamento dos documentos e a proibição de deixar o território nacional. O prazo para apresentar o documento terminou às 11h desta terça-feira (27), mas, segundo as informações divulgadas, Flávio não cumpriu a ordem judicial.

A Polícia Federal investiga se o senador deixou o Brasil mesmo após a determinação do STF. Até o momento das informações divulgadas, três aliados próximos afirmaram desconhecer seu paradeiro. Procurada pelo ICL Notícias, a assessoria de imprensa de Flávio informou que não comentaria o caso.

O pedido da Polícia Federal que fundamentou as medidas cautelares apontou riscos considerados “concretos e atuais” de que Flávio Bolsonaro deixasse o país sob a alegação de perseguição política. Entre os elementos citados estavam uma declaração pública de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, recomendando que ele saísse do Brasil em caso de derrota eleitoral, o poder econômico do senador e a existência de estruturas no exterior que poderiam viabilizar uma permanência prolongada.

Na antevéspera do segundo turno, Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, defendeu publicamente que o irmão deixasse o país caso não fosse eleito presidente. No pedido encaminhado a Moraes, a PF ressaltou que a declaração não deveria ser analisada isoladamente.

Os investigadores também mencionaram a situação do advogado Willer Tomaz, investigado com Flávio em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e apostas ilegais. Tomaz está nos Estados Unidos desde agosto de 2026, após ser alvo da Operação Sem Desconto, conforme as informações apresentadas pela PF.

Segundo a corporação, o advogado dispõe de recursos financeiros para permanecer no exterior por tempo indeterminado. A investigação também considera que Eduardo mantém nos Estados Unidos uma estrutura que permitiria uma permanência de longa duração.

De acordo com o ICL Notícias, há suspeitas de que Flávio tenha entrado na Argentina por via terrestre, possivelmente pela região de Puerto Iguazú, cidade argentina próxima à fronteira brasileira, antes de seguir de avião para os Estados Unidos. Essa hipótese, porém, não foi apresentada como fato oficialmente comprovado.

Na manhã desta terça-feira, a equipe do veículo esteve na residência do senador, em Brasília, mas não encontrou ninguém no imóvel. O consultório odontológico de sua esposa, Fernanda Antunes Bolsonaro, também foi visitado. Funcionários informaram que ela não compareceu ao trabalho na segunda e na terça-feira e que havia bloqueado a agenda de atendimentos durante toda a semana anterior.

O último visitante de Flávio identificado pelo veículo na segunda-feira foi o advogado Frederick Wassef. Ele ganhou notoriedade durante as investigações sobre o suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, foi localizado em um imóvel ligado ao advogado.

Após ser intimado pela Polícia Federal, na segunda-feira, enquanto visitava o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que acusou a corporação de perseguição política.

“Isso é um sinal que nossa democracia faliu”, afirmou o senador, atribuindo a atuação policial à chamada “Polícia Federal do Lula”.

A decisão de Moraes também proibiu Flávio de manter contato com Willer Tomaz. As medidas foram adotadas no âmbito da investigação sobre a relação entre o senador, o advogado e empresas supostamente ligadas a um esquema envolvendo apostas esportivas. O caso tramita sob sigilo de Justiça.

No pedido ao STF, a Polícia Federal também citou a suspeita, ainda sob apuração, de que recursos remetidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos Estados Unidos, por intermédio do doleiro Antonio Freixo, possam ter sido utilizados para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro no país.

A corporação afirmou que não estava descartada a hipótese de parte desses valores ter sido destinada à manutenção da estrutura do deputado cassado no exterior. A suspeita não equivale à comprovação de que os recursos tenham sido utilizados para esse fim.

Além desse caso, Flávio Bolsonaro é formalmente investigado em um inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

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