Jovem indígena de Sena Madureira amplia presença de narrativas amazônicas na moda internacional.
Aos 19 anos, a acreana Gabriely Dobbins atravessa uma fronteira simbólica rara no mercado da moda. Natural de Sena Madureira, ela foi anunciada como novo rosto da Gucci, uma das marcas mais influentes da indústria global.
De origem indígena e descendente do povo Kaxinawá, a modelo passa a ocupar um espaço historicamente restrito, levando consigo referências que, por décadas, permaneceram à margem das grandes campanhas internacionais.
O início nas passarelas internacionais ocorreu em outubro de 2025, quando Gabriely foi escolhida com exclusividade para desfilar pela Chloé. Desde então, consolidou presença em semanas de moda com participações em desfiles de marcas como Isabel Marant, Lacoste, Emporio Armani, Etro e Sportmax. O percurso indica não apenas visibilidade, mas continuidade em um setor conhecido pela alta rotatividade.
A percepção de que o sonho ganhava escala veio aos poucos. “Foram diversos momentos. No meu debut para Chloé, quando fiz sete desfiles na última temporada, e agora com a campanha para Gucci. Percebi que estava sendo escalada para trabalhos lá fora, então entendi que o sonho distante estava se tornando realidade”, afirmou à revista ELA.

Antes das passarelas internacionais, a trajetória de Gabriely seguiu por outros caminhos. Ela cursou Farmácia e trabalhou como maquiadora, experiências que permanecem como parte de sua formação. “Levo essas vivências comigo. São meus primeiros trabalhos e trouxeram aprendizados tanto para a estética quanto para a saúde”, disse.
A entrada no mercado ocorreu ainda na adolescência, aos 16 anos, pela WAY Model, agência comandada por Anderson Baumgartner, responsável por carreiras de destaque no cenário internacional. Desde então, o percurso da modelo tem sido marcado por escolhas estratégicas e inserção gradual em circuitos de alto prestígio. A presença de Gabriely em campanhas globais carrega um significado coletivo.
“Minha origem indígena do povo Kaxinawá orienta meu olhar, minhas escolhas e minha forma de existir dentro da moda. Em um contexto globalizado, onde há padronização e apagamento de identidades, a presença indígena é uma forma de ocupar esse espaço”, afirmou.
Com informações do jornal O Globo.







