Após um mês em abrigo, 13 lhamas morrem no Acre e órgãos federais recomendam abate dos animais restantes

Relatório técnico aponta risco sanitário e recomenda eutanásia das 31 lhamas sobreviventes; decisão final caberá à Justiça Federal

Treze das 44 lhamas e alpacas apreendidas pela Polícia Federal (PF) no Acre morreram desde a operação realizada em maio, e um parecer técnico do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), acolhido pelo Ministério Público Federal (MPF), recomenda o abate sanitário das 31 restantes em razão dos riscos à saúde animal e à agropecuária do país. A decisão final caberá à Justiça Federal.

Os animais foram apreendidos no Posto de Fiscalização da Tucandeira, na BR-364, quando eram transportados sem a documentação sanitária exigida. Desde então, permanecem sob guarda provisória da ONG Patinha Carente, em uma propriedade rural de Porto Acre, por determinação judicial, enquanto as autoridades discutem sua destinação.

Animais exóticos chegaram debilitados e em situação de estresse após serem transportados sem documentação sanitária em caminhão boiadeiro. Foto: Juan Vicent/Proa

O relatório foi elaborado após inspeções realizadas por representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), do MPF e outros órgãos envolvidos no caso. O documento conclui que os animais representam um risco zoossanitário por terem ingressado no país sem comprovação da condição sanitária exigida pela legislação brasileira.

Entre os principais argumentos apresentados está a impossibilidade de garantir que as lhamas estejam livres de doenças exóticas capazes de afetar rebanhos nacionais. O Acre possui reconhecimento internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação, condição considerada estratégica para a pecuária e para a exportação de produtos de origem animal. A introdução de animais sem controle sanitário, segundo o documento, pode comprometer esse status.

O relatório também aponta que a permanência dos animais em isolamento permanente ou a transferência para outro local não eliminaria completamente os riscos sanitários, razão pela qual recomenda a eutanásia sanitária como medida preventiva. A recomendação, entretanto, não possui efeito automático e depende de decisão da Justiça Federal.

Lhamas permanecem sob guarda provisória da ONG Patinha Carente, em uma propriedade rural de Porto Acre. Foto: Reprodução

Empresário contesta recomendação

O proprietário dos animais, o empresário Wellington Vieira de Araújo, contesta a apreensão e sustenta que as lhamas possuem origem regular. Segundo ele, parte dos animais nasceu em seu rancho, em Alvorada do Oeste (RO), e os demais pertencem a uma carga importada legalmente do Peru em 2025, posteriormente nacionalizada.

A defesa afirma que toda a documentação foi apresentada à Polícia Federal e que os animais poderiam circular no território nacional mediante atestado veterinário. O empresário busca na Justiça a restituição da carga.

Desde a apreensão, o número de mortes chegou a 13. Logo após o resgate, os animais chegaram debilitados, desidratados e sob intenso estresse devido às condições do transporte. Veterinários e voluntários passaram a prestar assistência emergencial na propriedade rural onde permanecem abrigados.

A ONG Patinha Carente continua responsável pelos cuidados diários, incluindo alimentação e acompanhamento veterinário, enquanto aguarda a definição judicial sobre o destino dos animais.

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