Moraes manda Flávio Bolsonaro entregar passaporte após visita a Jair

Decisão do STF ocorre em meio a investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro e após declarações de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de o irmão deixar o país

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (26) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue seus passaportes.

A decisão foi tomada horas depois de o parlamentar visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, e um dia após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, com 48,21% dos votos válidos.

A medida ocorre no contexto de uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.

Segundo informações da investigação, a PF encontrou e-mails que indicariam que Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holdings, empresa vinculada a Tomaz.

Na sexta-feira (23), Moraes já havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores do advogado, além do cancelamento de seus passaportes. Segundo a decisão, Tomaz teria viajado ao exterior depois de se tornar alvo da investigação da Polícia Federal.

Outro elemento relacionado ao pedido de restrição de saída do país são as declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos desde 2025.

Em entrevista concedida na sexta-feira (23) ao podcast norte-americano CrowderBits, Eduardo afirmou ser favorável à possibilidade de o irmão deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.

Após o resultado do segundo turno, parlamentares também apresentaram pedidos para que Flávio tivesse o passaporte apreendido. Desde domingo (25), Erika Hilton (PSOL-SP), Duda Salabert (PSOL-MG) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram solicitações no STF e na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades. A assessoria do senador nega a existência de uma conta bancária conjunta entre os dois. Já a defesa do advogado classificou as medidas determinadas pela Justiça como desproporcionais.

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