Ação cumpre 28 mandados de busca e apreensão em quatro cidades; três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas e cerca de R$ 1 milhão em espécie foi apreendido.
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (22) as Operações Ptolomeu IV e Umbra, que investigam suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e uma estrutura criada para obter informações sobre atividades da própria PF em benefício de investigados de fases anteriores da Operação Ptolomeu.
O ex-governador do Acre e candidato ao Senado, Gladson Camelí (Progressistas), é um dos alvos da operação. Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão nas primeiras horas da manhã desta terça, no condomínio Recanto Verde, onde ele mora, em Rio Branco. Durante a ação, foram apreendidos o celular de Camelí e três veículos de propriedade dele.
Além de Cameli, outros alvos tiveram mandados cumpridos. Ao todo, as duas operações cumpriram 28 ordens de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, além das cidades de Maringá (PR) e Navegantes (SC). As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde os processos tramitam.
Em nota, a defesa de Gladson Camelí afirmou que o candidato e sua assessoria jurídica estão colaborando com a Justiça, questionou a realização da operação às vésperas das eleições e classificou as medidas como abusivas.

Operação Ptolomeu IV
A Operação Ptolomeu IV foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e reúne duas frentes de investigação.
A primeira apura a contratação da empresa responsável pela construção inicial da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). Segundo a PF, uma auditoria da CGU apontou superfaturamento por inexecução parcial da obra, estimado em aproximadamente R$ 1,2 milhão.
O valor corresponde a serviços que teriam sido medidos e pagos, mas que, de acordo com a auditoria, não teriam sido efetivamente concluídos.
A investigação também encontrou indícios de que recursos provenientes de contratos públicos teriam sido utilizados para o pagamento de despesas particulares e para a concessão de vantagens indevidas a agentes públicos.
Segundo a PF, a análise das movimentações financeiras da empresa contratada identificou ainda um volume expressivo de saques em espécie e outras operações consideradas atípicas.

A segunda frente da Ptolomeu IV envolve a empresa posteriormente contratada para concluir a mesma obra.
De acordo com a Polícia Federal, os indícios apontam para uma possível sucessão empresarial e continuidade das práticas ilícitas investigadas. A apuração também identificou vínculos entre pessoas relacionadas à nova empresa contratada e empresas que já haviam sido investigadas em fases anteriores da Operação Ptolomeu.
PF investiga espionagem
Já a Operação Umbra teve origem em informações obtidas durante fases anteriores da Operação Ptolomeu.
Segundo a PF, a investigação identificou evidências da existência de um núcleo de contrainteligência estruturado para obter informações sobre ações policiais, movimentação de equipes e viaturas.
A finalidade seria antecipar operações e permitir que os investigados adotassem medidas para reduzir a efetividade das decisões judiciais.
A apuração aponta ainda para a possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no repasse indevido de informações relacionadas a operações policiais.

Sequestro de bens e cerca de R$ 1 milhão apreendidos
Além das buscas, o STJ autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados com o objetivo de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Também foram determinadas medidas cautelares, entre elas o afastamento de função pública, a proibição de contato entre investigados, a restrição de acesso a determinados órgãos públicos e a proibição de deixar a comarca de residência e o país.
Os investigados que tiveram o passaporte retido deverão entregá-lo à Superintendência da Polícia Federal no Acre no prazo de 24 horas.
Durante as diligências, os agentes apreenderam valores em espécie estimados, até o momento, em cerca de R$ 1 milhão.
Três suspeitos também foram presos em flagrante por posse ilegal de armas de fogo.
Crimes investigados
Conforme a Polícia Federal, os investigados poderão responder, de acordo com a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa.
A PF informou que outros crimes ainda poderão ser identificados no decorrer das investigações.
As Operações Ptolomeu IV e Umbra dão continuidade às apurações relacionadas à Operação Ptolomeu, que investiga um conjunto de suspeitas envolvendo recursos públicos, agentes públicos e particulares no Acre.
Confira a lista dos investigados no âmbito das operações:
Gladson Cameli — ex-governador do Acre e candidato ao Senado. É um dos alvos da Operação Ptolomeu IV. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão na residência dele, em Rio Branco, e apreendeu o celular e três veículos.
Moacir Pereira dos Santos Júnior — vereador de Rio Branco. Segundo nota divulgada por ele, agentes da PF estiveram na residência dele pela manhã, onde recolheram dispositivos eletrônicos e realizaram buscas no imóvel.
Taiane Belarmino dos Santos — candidata e irmã de Moacir Pereira dos Santos Júnior. É alvo da operação.
Tamires de Almeida Costa — esposa de Moacir Pereira dos Santos Júnior. É alvo da operação.
João Victor Casas Lopes — ex-assessor especial da Casa Civil. Está preso em razão do acidente ocorrido em Tarauacá que matou três pessoas e também é alvo da operação.
Nota do ex-governador Gladson Camelí na íntegra
Causa estranheza que, às vésperas do processo eleitoral, seja deflagrada uma operação na qual alguns influenciadores, blogs e sites de militantes a serviço de adversários tiveram informações e acesso antecipado para noticiar de forma sensacionalista e pejorativa com o claro interesse de atingir e prejudicar a imagem da candidatura de Gladson Camelí, sem que ele ou seus advogados sequer tivessem acesso às razões da diligência.
Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram a disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência. É fundamental destacar que, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a alta corte do país, as provas do processo que acusa Gladson Camelí foram comprovadamente produzidas de forma ilegal.
Ainda assim, continuam as medidas que consideramos abusivas e de clara perseguição com o intuito de influenciar o resultado eleitoral. Prova disso é o descumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal da ADPF 1017 que proíbe nos 15 dias que antecedem a eleição esse tipo de medida cautelar contra candidatos a cargos majoritários. A lei deveria servir para todos com a missão de proteger, não para perseguir e intimidar.
Confiamos na Justiça. Mas acima de tudo, confiamos em Deus e na sabedoria do eleitor acreano que está atento ao uso eleitoreiro das nossas instituições para perseguir e tentar influenciar o resultado das eleições.
Erick Venâncio
Assessoria Jurídica







