Com caravanas do interior, de outros estados e de países vizinhos, evento reuniu milhares de pessoas neste domingo (13) e encerrou a Semana Acreana da Diversidade com celebração, cultura e reivindicações por direitos
A Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ voltou às ruas de Rio Branco neste domingo (13) reunindo milhares de pessoas na celebração da sua 20ª edição. Com um desfile marcado por cores, música e performances, o evento representou a retomada de uma das principais manifestações do movimento LGBTQIAPN+ no Acre e reforçou a luta por visibilidade, direitos e políticas públicas.

Com o tema “Orgulho que movimenta o Acre: Cultura, Turismo, Diversidade e Empreendedorismo”, a concentração começou às 15h no Skate Park, no Parque da Maternidade. No fim da tarde, participantes acompanharam o trio elétrico pelas avenidas Ceará, Brasil e Getúlio Vargas até o Palácio Rio Branco, onde a programação foi encerrada com show da cantora paraense Gaby Amarantos.

Gaby Amarantos apresentou o projeto Rock Doido e falou sobre o significado de colocar sua arte a serviço da luta por direitos. A artista também destacou a importância da alegria e da liberdade como formas de resistência.
“Apoiar, dar suporte, colocar a minha voz à disposição, o meu corpo, a minha arte e a minha música em prol dessa comunidade que não é só a comunidade LGBT. É muito bom a gente gritar pra todo lado ouvir que ninguém vai nos calar! Ninguém vai dizer o jeito que a gente tem que ser. A gente vai ser colorido, divertido, do jeito que a gente é. Estar aqui celebrando, cantando, sendo feliz, vibrando, é um ato político. Porque a vida é luta, mas eu aprendi com os povos indígenas que, pra lutar, a gente tem que se abastecer de alegria!”, disse.

A DJ Clementaum (Gabriela Clemente) comandou a trilha sonora durante o percurso. Em entrevista ao Na Proa da Notícia, ela destacou a importância de levar a música e a cultura do circuito LGBTQIAPN+ para diferentes regiões do país.
“Fico muito feliz em poder estar aqui no Norte do Brasil, no Acre. É uma honra poder trazer a nossa sonoridade, da música eletrônica latina, da música eletrônica brasileira, do nosso circuito LGBT, e poder representar isso é muito gratificante”, afirmou.

A programação deste ano encerrou a 20ª Semana Acreana da Diversidade, realizada entre os dias 4 e 13 de setembro. Além da parada, a agenda reuniu seminários, atividades esportivas, palestras, qualificação para empreendedores e a 1ª Feira da Diversidade. A iniciativa foi promovida pela Associação Diversidade do Acre (AHAC), com parceiros públicos e privados.
Retomada
A realização do desfile deste domingo também teve um significado especial para o movimento. A edição anterior da parada havia sido realizada em dezembro de 2024, e a programação que deveria marcar a continuidade do evento passou por mudanças e adiamentos.

Segundo o ativista Germano Marino, mesmo sem a realização do desfile tradicional nas datas inicialmente previstas, o movimento manteve atividades por meio do Circuito Acreano da Diversidade. A chegada da 20ª edição às ruas, portanto, simbolizou a retomada da principal manifestação pública do orgulho LGBTQIAPN+ no estado.
“A Parada do Orgulho LGBT do Acre não é frequentada apenas por pessoas LGBTQIA+. Ela é frequentada pela população de Rio Branco”, afirmou Marino ao Na Proa.
Ele destacou ainda a presença de caravanas vindas de diferentes municípios acreanos, como Cruzeiro do Sul, Xapuri e Tarauacá, além de participantes de Rondônia e de países vizinhos, como Bolívia e Peru.
Festa também é luta
Para quem acompanha a trajetória da manifestação desde as primeiras edições, a parada carrega duas décadas de memória e mobilização.
O servidor público Enock Cruz, de 48 anos, contou ao Na Proa que acompanha a Parada do Orgulho há 20 anos. Para ele, a edição deste ano também representa conquistas construídas pela mobilização da comunidade.
Entre elas está a assinatura, pela Prefeitura de Rio Branco, da mensagem que será encaminhada à Câmara Municipal para a criação do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+. O ato ocorreu na última semana, durante a abertura da programação da diversidade.
“Uma das conquistas seria o Conselho Municipal, que foi assinado pelo prefeito, para nos orientar e divulgar o nosso trabalho, a nossa comunidade LGBT”, disse Cruz.

A criação do conselho ainda depende da tramitação e aprovação do projeto no Legislativo municipal, mas a assinatura da mensagem representa um passo na reivindicação do movimento por uma estrutura permanente de participação social e formulação de políticas públicas.
Para Djalma Júnior, de 21 anos, que participava da parada pela primeira vez, a expectativa era viver o evento em um ambiente de liberdade e segurança.
“O que eu espero para esse evento é que seja um evento tranquilo, um evento seguro, em que as pessoas possam se divertir, possam ser quem elas são e que venha mais e mais para celebrar o nosso orgulho de ser quem somos hoje”, afirmou.
Diversidade também movimenta a economia
A 20ª edição trouxe para o centro da programação o debate sobre cultura, turismo e empreendedorismo. A diversidade que ocupa as ruas também movimentou a economia em torno do evento.

Entre o público e os ambulantes, a movimentação criou oportunidades de trabalho e renda. Antônio José, que vendia leques, copos e outros acessórios durante a concentração, apostava no fluxo de pessoas para garantir as vendas.
“Hoje nós estamos aqui na expectativa de vender os leques, que é o momento de 2026”, brincou.
A presença de empreendedores e comerciantes dialogou com um dos eixos da Semana Acreana da Diversidade, cuja programação incluiu atividades de qualificação e espaços voltados ao empreendedorismo LGBTQIAPN+.
A proposta oficial da semana foi justamente discutir uma diversidade que também empreende, gera renda e amplia sua participação na economia acreana.
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