Cinco deputados estaduais do Acre aumentam patrimônio em mais de R$ 1 mi desde a última eleição

Levantamento mostra que maioria dos parlamentares aumentou a posse de bens nos últimos quatro anos, incluindo o presidente da Assembleia

Por Gabriel Benevides

Cinco deputados estaduais do Acre que concorrem nas eleições elevaram seus patrimônios em mais de R$ 1 milhão de 2022 a 2026 –anos das duas últimas eleições para a Assembleia Legislativa. O levantamento foi realizado pelo Na Proa da Notícia.

O parlamentar com maior aumento nominal de patrimônio foi Eduardo Ribeiro (Republicanos), que passou de R$ 519,5 mil para R$ 3,4 milhões em quatro anos. A variação representa uma alta de R$ 2,9 milhões no período, ou 553% em termos percentuais.

Em seguida, está Tanízio Sá (MDB). O patrimônio do candidato cresceu R$ 2,2 milhões, expansão de 131%. Era de R$ 1,7 milhão e foi a R$ 4 milhões.

Presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Nicolau Junior (PP) está em 3º lugar no ranking de aumento nominal. Seus bens somavam R$ 2,1 milhões em 2022 e foram declarados em R$ 4,0 milhões em 2026, o que corresponde a uma diferença de R$ 2,0 milhões. O valor quase dobrou, com uma variação de 94%.

Fagner Calegário (União Brasil) passou de R$ 447,9 mil para R$ 2,2 milhões, crescimento de R$ 1,7 milhão (ou 381%).

Gilberto Lira (União Brasil) completa a lista dos cinco deputados estaduais com elevação milionária de patrimônio. Ele disse não ter bens a declarar em 2022 e informou R$ 1,6 milhão em 2026.

O patrimônio é o conjunto de bens, direitos e valores que uma pessoa tem em determinado momento –como imóveis, carros e investimentos. É diferente da renda, que representa o dinheiro recebido ao longo de um período, como salário, dividendos ou aluguéis.

Leia abaixo os valores para cada deputado estadual que busca a reeleição:

São os próprios deputados que declaram seus patrimônios à Justiça Eleitoral. O Na Proa levantou os valores com base nos dados abertos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) disponíveis em 8 de setembro de 2026. A reportagem cruzou os números de 2022 e 2026 a partir do CPF (Cadastro de Pessoa Física) de cada candidato. 

Os valores da eleição passada foram corrigidos pela inflação por meio do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho de 2026. A correção permite mostrar quanto se deu o aumento real do patrimônio dos candidatos, sem considerar a elevação natural dos preços.

As informações relativas aos deputados que não buscam reeleição estão indisponíveis, porque somente os candidatos são obrigados a declarar os seus bens ao TSE.

O aumento de patrimônio não necessariamente decorre de um ato ilícito, mas é um indicador que serve para mostrar o poder econômico de cada político entre uma eleição e outra.

Os dados ainda mostram que 15 deputados aumentaram o patrimônio em quatro anos. Deles, 8 mais do que dobraram o montante.

Leia abaixo o detalhamento do aumento patrimonial de cada deputado estadual:

  • Arlenilson Cunha (PL) – passou de R$ 59,7 mil para R$ 982,2 mil, uma alta de R$ 922,5 mil (+1.545%);
  • Maria Antônia (PP) – passou de R$ 871,8 mil para R$ 1,6 milhão, uma alta de R$ 690,8 mil (+79%);
  • Edvaldo Magalhães (PCdoB) – passou de R$ 1,3 milhão para R$ 2 milhões, uma alta de R$ 661,7 mil (+50%);
  • Emerson Jarude (Novo) – passou de R$ 232,3 mil para R$ 813,2 mil, uma alta de R$ 580,9 mil (+250%);
  • Pedro Longo (MDB) – passou de R$ 1,2 milhão para R$ 1,7 milhão, uma alta de R$ 479,2 mil (+39%);
  • Adailton Cruz (União) – passou de R$ 14,8 mil para R$ 310,7 mil, uma alta de R$ 295,9 mil (+1.998%);
  • Afonso Fernandes (União) – passou de R$ 221,9 mil para R$ 508,8 mil, uma alta de R$ 286,9 mil (+129%);
  • Tadeu Hassem (Republicanos) – passou de R$ 814,5 mil para R$ 970 mil, uma alta de R$ 155,5 mil (+19%);
  • Whendy Lima (União) – passou de R$ 65,0 mil para R$ 191,5 mil, uma alta de R$ 126,5 mil (+195%);
  • Pablo Bregense (União) – passou de R$ 327,4 mil para R$ 427,4 mil, uma alta de R$ 100,1 mil (+31%);
  • Dra. Michelle Melo (União) – disse não ter bens a declarar em 2022 e informou R$ 45,3 mil em 2026;
  • Clodoaldo Rodrigues – disse não ter bens a declarar em 2022 e em 2026;
  • José Luis (PDT) – disse não ter bens a declarar em 2022 e em 2026;
  • André da Droga Vale (PP) – passou de R$ 955,4 mil para R$ 850 mil, uma redução de R$ 105,4 mil (-11%);
  • Manoel Moraes (PP) – passou de R$ 1,7 milhão para R$ 1,5 milhão, uma redução de R$ 153 mil (-9%);
  • Antonia Sales (MDB) – passou de R$ 2,6 milhões para R$ 2,2 milhões, uma redução de R$ 437,4 mil (-17%);
  • Gene Diniz (Republicanos) – passou de R$ 769,1 mil para R$ 219,2 mil, uma redução de R$ 549,9 mil (-72%).

De todos os políticos acima, somente Pedro Longo não tenta reeleição para a Assembleia Legislativa. Ele agora busca ser deputado federal.

No caso dos deputados estaduais que não concorrem nas eleições, as informações não estão disponíveis em sistemas públicos.

Abaixo, leia o detalhamento do que cada candidato declarou em 2026:

A seguir, a tabela interativa mostra os valores em 2022:

O Na Proa enviou e-mails em 9 e 10 de setembro para todos os deputados mencionados nesta reportagem e perguntou se gostariam de se manifestar sobre os dados. Os contatos estavam disponíveis na página da Assembleia Legislativa. Somente Tanízio Sá respondeu. 

O emedebista afirmou haver um valor duplicado no patrimônio declarado em 2026 referente a um barco. O montante foi desconsiderado do levantamento após o contato do parlamentar. 

Sobre o aumento do valor da área rural, de R$ 300 mil para R$ 700 mil, Tanízio disse que a valorização ocorreu por investimentos na propriedade, principalmente com o plantio de cacau. 

Ele também declarou que houve venda e compra de veículos, com a substituição de um quadriciclo de R$ 75 mil por outro de valor maior, além da valorização de outros bens. Segundo ele, o crescimento do patrimônio rural e dos animais decorreu de investimentos, valorização dos ativos e criação de gado, e não de erro nas declarações

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