Crise no transporte coletivo: táxi-lotação opera em Rio Branco após apreensão de ônibus

Medida emergencial entrou em vigor na quarta-feira (1º) para amenizar os impactos da retirada de 38 ônibus da Ricco. Com frota reduzida, passageiros enfrentam longas esperas e a Ufac suspendeu aulas presenciais

A Prefeitura de Rio Branco iniciou a operação emergencial de táxi-lotação para reduzir os impactos causados pela crise no transporte coletivo da capital. A medida foi adotada na última quarta-feira (1º) um dia após a apreensão judicial de 38 ônibus da Ricco Transportes e Turismo, decisão que reduziu drasticamente a frota em circulação e provocou superlotação, longas filas e aumento no tempo de espera dos passageiros.

Segundo a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), o serviço será prestado exclusivamente por taxistas regularizados e atenderá os trajetos bairro/Centro e Centro/bairro. A tarifa foi fixada em R$ 5 por passageiro, por trecho. O embarque e desembarque ocorrem em frente à Galeria Cunha, na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro, nas proximidades do Estádio José de Melo.

A autorização tem caráter excepcional e permanecerá válida enquanto durar a situação emergencial provocada pela redução da frota. A RBTrans informou que parte das linhas de ônibus continua em operação, mas com quantidade reduzida de veículos, e orientou os usuários a acompanharem os horários atualizados e utilizarem apenas táxis regulamentados. O órgão também reforçou que manterá a fiscalização para coibir o transporte clandestino e cobranças acima da tarifa estabelecida.

Os reflexos da crise também atingiram a Universidade Federal do Acre (Ufac), que suspendeu as atividades presenciais de graduação na quarta-feira (1º) e quinta-feira (2) devido às dificuldades de deslocamento enfrentadas por estudantes e servidores.

A crise começou na madrugada de terça-feira (30), quando a Justiça do Acre cumpriu um mandado de apreensão de 38 ônibus da Ricco Transportes. A decisão atende a uma carta precatória do Distrito Federal, expedida para cumprir uma liminar da 25ª Vara Cível de Brasília, que determinou a reintegração de posse de até 50 veículos pertencentes às empresas Transportadora São José do Tocantins e Expresso São José Ltda. A medida decorre de uma dívida da Ricco estimada em quase R$ 3 milhões.

A Ricco informou que permaneceu operando com apenas 48 ônibus, o que obrigou a redução da oferta de viagens em praticamente todas as linhas. A empresa também anunciou que recorrerá da decisão judicial para tentar reverter a apreensão dos veículos.

A apreensão ocorre às vésperas do encerramento do contrato emergencial da Ricco com a prefeitura da capital acreana. A empresa já havia informado que não participaria do novo chamamento emergencial realizado pelo município. A expectativa é que a operação seja assumida pela JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos Ltda., contratada para manter o serviço enquanto não é concluída a licitação definitiva do sistema.

No entanto, segundo a prefeitura, a Ricco permanecerá atuando por um período de até 60 dias para apoiar a transferência operacional à nova empresa, conforme divulgado nesta semana. A medida busca evitar uma interrupção ainda maior no transporte coletivo durante a mudança de operadora.

A crise do transporte coletivo em Rio Branco se arrasta há cerca de seis anos. Desde 2021, o sistema funciona sob sucessivos contratos emergenciais, em razão do colapso das antigas concessionárias e das dificuldades enfrentadas pelo município para realizar uma licitação definitiva do serviço.

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