Apuração do Ministério Público aponta indícios de sobrecarga de sódio durante atendimento médico em Rio Branco.
O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou procedimento investigativo criminal para apurar as circunstâncias da morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gadelha, de 84 anos. Ela morreu em 22 de janeiro de 2026 após receber atendimento no pronto-atendimento da Unimed Rio Branco, na capital acreana.
A investigação é conduzida pela 10ª Promotoria de Justiça Criminal de Rio Branco. O caso havia sido registrado inicialmente como notícia de fato, mas foi convertido em procedimento investigativo criminal após a identificação de indícios da ocorrência de crime. De acordo com o MPAC, o objetivo é esclarecer as circunstâncias da morte e verificar eventual responsabilidade penal de profissionais envolvidos no atendimento.
Segundo a apuração preliminar, há elementos que indicam possível aplicação excessiva de sódio durante o tratamento médico. Documentos encaminhados ao Ministério Público, entre eles prontuários e a certidão de óbito, apontam como causa da morte um distúrbio hidroeletrolítico, condição associada ao excesso da substância no organismo.
Depoimentos e documentos levantados
Familiares ouvidos na fase inicial relataram que a idosa mantinha bom estado geral de saúde e vida independente. De acordo com esses relatos, a administração de sódio teria sido indicada como parte de um procedimento considerado rotineiro.
Ainda conforme os depoimentos, a segunda infusão teria ocorrido em intervalo inferior ao recomendado e com velocidade elevada de administração. Após o procedimento, a paciente apresentou piora clínica e morreu.
Os familiares também informaram que receberam, ainda na unidade de saúde, a comunicação de que poderia ter ocorrido erro na aplicação da medicação. Após o agravamento do quadro, a professora foi transferida para outro hospital, onde médicos teriam reforçado a suspeita de aplicação inadequada da substância.
Documentos médicos e exames laboratoriais entregues à Promotoria incluem relatório de um médico contratado pela família para acompanhar o caso. Os registros apontam aumento abrupto dos níveis de sódio no organismo após as infusões e ausência de doença cardíaca prévia que justificasse, isoladamente, o desfecho.
Informações fornecidas pela própria unidade de saúde indicam que o procedimento tinha classificação de baixo risco, com pouca urgência e baixa probabilidade de complicações graves. Registros também mencionam sobreaplicação da substância, atribuída à velocidade de infusão acima da recomendada.
Diligências da investigação
Com a abertura formal do procedimento, o MPAC determinou uma série de diligências. Entre elas estão a solicitação de laudo cadavérico indireto ao Instituto Médico Legal (IML), a oitiva de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem envolvidos no atendimento e a requisição de informações adicionais à unidade de saúde.
Também foram determinadas a notificação do médico contratado pela família e de outros profissionais que participaram do atendimento, além de levantamento para identificar possíveis ocorrências semelhantes.
No documento que fundamenta a investigação, o promotor de Justiça Ildon Maximiano afirma que “não remanesce dúvida, portanto, da ocorrência criminosa”.
Segundo o texto, há elementos que indicam que a morte pode ter sido provocada por atos ilícitos, cabendo agora a definição do enquadramento penal. Entre as hipóteses analisadas estão homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, e homicídio culposo.
Com informações da Agência de Notícias do MPAC.







