Trump divulga foto de Maduro vendado após invasão dos EUA e ameaça novos ataques na Venezuela

Ataque militar de grande escala atingiu Caracas e outros estados na madrugada deste sábado; presidente americano diz que ainda decide futuro da Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou neste sábado (3) uma imagem do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, supostamente sequestrado por forças norte-americanas após uma ofensiva militar de grande escala contra o país vizinho.

Na foto, compartilhada nas redes sociais, Maduro aparece vendado, usando óculos escuros, moletom e aparentando estar algemado, a bordo do navio USS Iwo Jima, da Marinha dos EUA.

Segundo Trump, a operação foi realizada na madrugada deste sábado e incluiu ataques simultâneos em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, onde foram registradas explosões. A ofensiva teria resultado também na captura da primeira-dama venezuelana, Cilia Flores.

Em entrevista coletiva, o presidente americano celebrou os bombardeios e afirmou que a ação militar representa apenas a “primeira onda” da ofensiva. De acordo com ele, tropas dos Estados Unidos permanecerão na Venezuela e poderão voltar a agir caso considerem necessário.

“Vamos nos preparar para reagir a uma segunda onda, se for necessário, mas por enquanto talvez não seja. Essa foi a primeira onda, com um ataque muito bem-sucedido. E aí teremos uma segunda onda muito maior. Temos uma onda muito maior por vir”, declarou.

Trump afirmou que, por ora, haverá uma “transição pacífica” no país sul-americano. “Queremos paz, liberdade para as pessoas ótimas da Venezuela. Temos muitos venezuelanos vivendo nos Estados Unidos que querem voltar para o país. Não podemos deixar que outra pessoa tome conta da Venezuela e das pessoas venezuelanas, da mente delas, após décadas de um governo como esse. Nós vamos ficar por lá por um certo período para conseguir garantir uma transição adequada”, afirmou.

Questionado sobre quem poderia assumir o poder na Venezuela, Trump disse que ainda está decidindo sobre o futuro político do país. Ele mencionou a líder opositora María Corina Machado e também a vice-presidente Delcy Rodríguez como nomes possíveis no cenário pós-Maduro.

O presidente norte-americano relatou ainda que acompanhou a captura de Maduro em tempo real, por meio de uma transmissão feita por agentes que participaram da missão em Caracas. “Foi como ver um programa televisivo”, afirmou. Segundo Trump, o ataque estava inicialmente previsto para ocorrer quatro dias antes, mas foi adiado devido a condições climáticas desfavoráveis.

Trump também revelou que chegou a conversar com Maduro cerca de uma semana antes da ofensiva. De acordo com ele, o presidente venezuelano teria tentado negociar uma saída pacífica do poder, proposta que foi recusada. “Eles quiseram negociar no final, mas eu não queria”, disse.

Acusações

Durante a coletiva, Trump afirmou que Nicolás Maduro é acusado de diversos crimes, entre eles narcotráfico, assassinatos e mortes. Segundo o presidente dos EUA, o líder venezuelano chefiava o chamado cartel de Los Soles, supostamente envolvido no tráfico internacional de drogas.

Trump declarou ainda que Cilia Flores já foi indiciada pela Justiça americana e que o casal está sendo transportado em um navio da Marinha dos Estados Unidos com destino ainda indefinido, que pode ser Nova York, Miami ou outro ponto na Flórida.

“Temos muitas evidências dos crimes deles que serão apresentadas à lei. Eu já vi o que nós temos. É de tirar o fôlego. Por muitos anos, durante a presidência dele, Maduro ficou no poder e fez uma campanha de violência, terror e subversão”, afirmou.

Petróleo e interesses econômicos

O presidente dos Estados Unidos voltou a citar o petróleo venezuelano e afirmou que o recurso teria sido “roubado” dos EUA durante administrações anteriores e ao longo do governo de Nicolás Maduro. Segundo Trump, a exploração petrolífera da Venezuela estaria ligada a interesses históricos americanos.

“Tudo foi roubado de nós durante as administrações anteriores e de Nicolás Maduro. Isso é propriedade americana, faz parte da história do nosso país. Uma infraestrutura massiva de exploração de petróleo foi tirada de nós como se tirasse doce de bebê”, declarou.

Trump também reiterou que os Estados Unidos passarão a estar “fortemente envolvidos” com a indústria petroleira da Venezuela. Apesar disso, disse que a China continuará recebendo petróleo venezuelano, sem detalhar como será esse arranjo.

“Com Maduro foi justo”

Ao encerrar o pronunciamento, Trump afirmou estar satisfeito com a operação e disse que o que ocorreu com Nicolás Maduro pode servir de alerta a outros líderes mundiais.

“O que aconteceu com o Nicolás Maduro pode acontecer com outros líderes mundiais. Eles sabem disso. Com o Maduro foi justo. O ditador Maduro finalmente está preso e as pessoas estão livres. Demorou bastante para ele”, concluiu.

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