Trump afirma que EUA capturaram Nicolás Maduro após ataque de grande escala à Venezuela

Explosões atingem Caracas, governo venezuelano fala em “agressão imperialista” e decreta estado de comoção exterior; vice-presidente pede prova de vida.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita por Trump em uma rede social e, posteriormente, reforçada em entrevista à emissora Fox News.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, escreveu Trump.

Segundo ele, a operação foi conduzida em conjunto com forças de segurança norte-americanas. O presidente não informou inicialmente para onde Maduro e a mulher foram levados.

Mais tarde, Trump afirmou que Maduro está a caminho de Nova York, sendo transportado em um navio da Marinha dos EUA. O presidente norte-americano disse ainda que assistiu à captura ao vivo, por meio de imagens transmitidas por agentes que participaram da missão em Caracas.

Ainda de acordo com Trump, o ataque estava previsto para ocorrer quatro dias antes, mas foi adiado por condições climáticas. Ele afirmou também que chegou a conversar com Maduro cerca de uma semana atrás e que o governo venezuelano tentou negociar uma saída pacífica do poder. “Eles quiseram negociar no final, mas eu não queria”, declarou.

Trump e Maduro — Foto: AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez

Explosões em Caracas

Na madrugada deste sábado, uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela. Segundo a agência Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas.

Parte da cidade ficou sem energia elétrica, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.

Governo fala em “agressão imperialista”

Logo após o início dos ataques, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. No texto, Caracas informou que Nicolás Maduro assinou um decreto declarando estado de Comoção Exterior em todo o território nacional.

“O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista”, diz o comunicado, que afirma ainda que o decreto tem como objetivo proteger os direitos da população e garantir o funcionamento das instituições, além de convocar forças sociais e políticas para a mobilização.

O governo venezuelano acusou os Estados Unidos de tentarem impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”, alegando que o verdadeiro objetivo da operação seria assumir o controle de recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais. Caracas declarou ainda que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade à Venezuela.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou não saber onde Maduro está e exigiu do governo norte-americano uma prova de vida do presidente.

Escalada de tensões

A pressão dos Estados Unidos sobre o governo venezuelano se intensificou nos últimos meses. Em agosto, Washington elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro e reforçou a presença militar no Mar do Caribe. Inicialmente, a Casa Branca afirmou que a mobilização tinha como foco o combate ao narcotráfico, mas, com o tempo, autoridades americanas passaram a admitir, sob anonimato, que o objetivo seria derrubar o governo venezuelano.

Em novembro, Trump e Maduro chegaram a manter conversas telefônicas, sem avanços. No mesmo período, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando Maduro de liderar o grupo. A imprensa internacional também noticiou, naquele mês, que os Estados Unidos se preparavam para uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela.

Segundo o jornal The New York Times, o governo norte-americano tem interesse direto nas reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo. Nas últimas semanas, militares dos EUA apreenderam navios petroleiros da Venezuela, e Trump determinou o bloqueio de embarcações alvo de sanções, acusando Maduro de “roubar” os Estados Unidos.

Em entrevista neste sábado, Trump afirmou que os EUA terão “forte envolvimento” com a indústria petroleira da Venezuela, ao mesmo tempo em que disse ainda estar decidindo sobre o futuro político do país após a captura do presidente venezuelano.

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