Conclusão da primeira fase do inquérito aponta homicídio e furto qualificados; Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, e Nataniel Oliveira de Lima, de 23, confessaram o crime e seguem presos.
A Polícia Civil do Acre concluiu a primeira etapa do inquérito que apura a morte do ativista cultural, colunista social, advogado e servidor do Ministério Público do Acre (MPAC), Moisés Ferreira Alencastro e Souza, de 59 anos. Dois homens, Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, e Nataniel Oliveira de Lima, de 23, foram indiciados por homicídio qualificado e furto qualificado, em concurso material.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário na terça-feira (30), dentro do prazo legal, já que os suspeitos estão presos preventivamente. A informação foi confirmada pelo coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alcino Souza.
Segundo a Polícia Civil, o laudo cadavérico foi concluído e aponta que Moisés foi morto com cerca de quatro facadas. “Quando o acusado está preso, tenho um prazo de 10 dias para concluir o inquérito e encaminhar. Então, como representamos por prisões preventivas, esse prazo venceria no sábado [3], encaminhei já o primeiro resultado para Justiça. Como algumas perícias ainda não estão concluídas, representamos por outras medidas para trazer maiores confirmações, não quanto à autoria, mas para detalhar a motivação”, explicou o delegado.
Moisés foi encontrado morto no dia 22 de dezembro, dentro do apartamento onde morava, no bairro Morada do Sol, em Rio Branco. O carro da vítima foi localizado posteriormente, abandonado na Estrada do Quixadá, zona rural da capital. Os dois suspeitos foram presos no dia 25 de dezembro, também em Rio Branco.

Inicialmente, o crime chegou a ser tratado como latrocínio, mas a linha de investigação mudou após a constatação de que não havia sinais de arrombamento no imóvel. Durante as diligências, a polícia encontrou objetos da vítima em endereços ligados aos investigados, entre eles documentos pessoais, controles do veículo e do apartamento, além de roupas com vestígios de sangue. A tentativa de uso dos cartões bancários de Moisés após o homicídio também é apurada.
De acordo com a DHPP, os dois suspeitos confessaram o crime. Antônio de Sousa Morais foi preso pela manhã e estava foragido desde a descoberta do corpo. Já Nataniel Oliveira de Lima foi detido no fim da tarde do mesmo dia, no bairro Eldorado. Ambos passaram por audiência de custódia no dia 26 de dezembro, tiveram as prisões mantidas e foram encaminhados ao Complexo Prisional de Rio Branco.
Sobre a motivação, o delegado informou que a principal hipótese é de crime passional, embora as investigações sigam em andamento e o processo tramite em segredo de Justiça.
“Tem coisa que a gente precisa aprofundar. Preciso recuperar todas as mensagens e tudo que tem nos celulares, tanto dos dois quanto da própria vítima. Enquanto não tenho isso, estou trabalhando com hipótese. A princípio, não quero crer que isso tenha a ver com crime de ódio porque tenho alguém [suspeito] que já era da intimidade dele e sabia que era homossexual”, afirmou Alcino Souza.
O telefone celular de Moisés ainda não foi localizado. Segundo a polícia, buscas foram realizadas em todos os locais indicados durante a investigação. “Celular ainda não achamos. Fizemos buscas em todos os lugares possíveis. Sobre a participação de cada um, não posso passar detalhes, mas posso confirmar que ambos concorreram para o resultado”, concluiu o delegado.


