Nível chegou a 15,44 metros pela manhã e recuou para 15,43 ao meio-dia, segundo a Defesa Civil.
A enchente do Rio Acre já atinge mais de 12 mil pessoas em Rio Branco nesta segunda-feira (2), segundo dados da Defesa Civil Municipal. O nível do manancial alcançou 15,44 metros pela manhã e apresentou leve recuo ao meio-dia, quando marcou 15,43 metros, o primeiro sinal de vazante após vários dias de elevação contínua.
Com o avanço das águas, 30 famílias permanecem acolhidas no Parque de Exposições Wildy Viana, totalizando 89 pessoas e 21 animais. Outras 20 famílias foram para casas de parentes ou amigos, somando 70 pessoas. Somente nesta manhã, a Defesa Civil registrou dez retiradas emergenciais.
O coordenador municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, disse que o comportamento do rio ainda inspira cautela. “Nos próximos dias a gente espera novas oscilações. Estamos no começo de fevereiro e ainda temos todo o mês e também março pela frente. O rio pode chegar perto de 15,5 metros, baixar um pouco e voltar a subir. Existe, sim, a possibilidade de outros transbordamentos, que podem ser mais fortes do que os atuais”, afirmou.
Na capital, 30 bairros já foram afetados pela cheia. Entre os mais vulneráveis estão Ayrton Senna, Base, Seis de Agosto, Cidade Nova, Cadeia Velha, Baixada da Habitasa, Triângulo e Palheiral.
Na zona urbana, 1.940 famílias foram atingidas, o que representa cerca de 7 mil pessoas. Na zona rural, 23 comunidades enfrentam impactos, com 1.250 famílias afetadas, aproximadamente 5 mil moradores.
Chuvas acima da média
A Defesa Civil relaciona a elevação do nível do rio ao volume elevado de precipitações acumuladas nas últimas semanas. Em janeiro, choveu mais de 570 milímetros, quase o dobro da média histórica prevista para o mês.
O Rio Acre está acima da cota de atenção desde 11 de janeiro, após sucessivas chuvas fortes, o que manteve o sistema hidrológico em situação crítica ao longo do mês.
Sequência de enchentes recentes
Desde março do ano passado, o principal rio da capital voltou a transbordar em quatro ocasiões, em intervalos cada vez mais curtos.
A primeira ocorreu em 10 de março de 2025, quando o nível ultrapassou 14 metros e chegou ao pico de 15,88 metros. Naquele episódio, mais de 30 mil pessoas foram afetadas e bairros inteiros ficaram isolados por vários dias.
Em dezembro do mesmo ano, no dia 27, uma rápida elevação surpreendeu moradores após chuvas intensas na bacia. Em menos de 24 horas, o nível subiu cerca de quatro metros, alcançou 14,03 metros e chegou a 15,41 metros, com mais de 20 mil pessoas impactadas.
Já em 16 de janeiro, o rio voltou a cruzar a marca de transbordo ao atingir 14,01 metros durante a tarde, o que levou a novas remoções preventivas em áreas ribeirinhas.
O episódio mais recente ocorreu em 29 de janeiro, quando o nível atingiu novamente 14 metros no início da noite e avançou sobre áreas urbanas pela terceira vez em menos de dois meses e pela quarta em menos de um ano.
A Defesa Civil informou que mantém monitoramento contínuo e orienta moradores das áreas alagadas a procurar ajuda pelos canais oficiais de emergência.






