Saída foi formalizada nesta terça-feira (24) e passa a valer em 2 de abril; vice-governadora Mailza Assis assume o Executivo estadual
O governador do Acre, Gladson Camelí (PP), anunciou nesta terça-feira (24) a renúncia ao cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A decisão foi formalizada por meio de mensagem enviada à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), com efeitos a partir de 2 de abril.
Com a saída de Gladson, a vice-governadora Mailza Assis (PP) assume a chefia do Executivo estadual. De acordo com o governo, a transição ocorre dentro de um processo planejado para garantir a continuidade das ações administrativas e dos programas em execução.
A renúncia segue exigência da legislação eleitoral brasileira, que determina o afastamento de governadores até seis meses antes do pleito para que possam concorrer a outros cargos.
No comunicado oficial, encaminhado ao presidente da Aleac, Nicolau Júnior, Camelí agradeceu o apoio político e institucional recebido ao longo da gestão e destacou avanços do governo. “Descerei as escadas do Palácio Rio Branco satisfeito, com a certeza do dever cumprido e com a convicção de que o Acre de hoje é muito melhor e tem um caminho pavimentado para seguir se desenvolvendo”, afirmou.
A intenção de concorrer ao Senado já havia sido tornada pública no início de março, durante um evento político em Rio Branco. Na ocasião, Mailza Assis também confirmou que pretende disputar o governo estadual. O encontro reuniu lideranças de diferentes partidos e marcou a consolidação de uma aliança ampla entre siglas como Progressistas, União Brasil, PL, Podemos, Solidariedade, PDT, PSDB, PRD, DC e Cidadania.
Julgamento no STJ
A renúncia ocorre enquanto Camelí é réu em uma ação penal no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que investiga suspeitas de fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e formação de organização criminosa no âmbito do governo estadual.
Em maio de 2024, a Corte Especial do STJ aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que inclui acusações de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
O julgamento do caso teve início em 17 de dezembro, mas foi suspenso após pedido de vista do ministro João Otávio de Noronha, revisor do processo, depois da apresentação do voto da relatora, ministra Nancy Andrighi.
No voto, Andrighi defendeu a condenação de Camelí a 25 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de multa e indenização ao Estado do Acre no valor de R$ 11.785.020,31. A ministra também votou pela perda do cargo de governador.
Segundo a acusação do Ministério Público Federal (MPF), Camelí seria o líder de uma organização criminosa estruturada em núcleos familiar, político e empresarial, com atuação desde 2019. As investigações apontam que o esquema teria causado prejuízos superiores a R$ 16 milhões aos cofres públicos.
As apurações integram a Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos no Acre. A investigação aponta indícios de superfaturamento, pagamento de propina, uso de empresas de fachada e movimentações financeiras consideradas atípicas.
O inquérito teve origem em 2021, a partir de relatórios de inteligência financeira (Coaf) que identificaram transações suspeitas envolvendo o governador. Entre os pontos investigados está a contratação da empresa Murano, sediada em Brasília, que teria subcontratado uma empresa no Acre ligada a um irmão de Camelí.
A operação também identificou compras de alto valor e transações consideradas incompatíveis com a renda declarada, além de um volume expressivo de recursos públicos destinados a contratos sob suspeita.
Ao longo das fases da operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diferentes estados, com apreensão de dinheiro em espécie, veículos, joias e documentos. Também foram determinadas medidas como bloqueio de bens, afastamento de servidores e quebra de sigilos bancário e fiscal.
Em novembro, o STJ prorrogou por mais 180 dias medidas cautelares impostas a Camelí, como a proibição de manter contato com outros investigados, a retenção do passaporte, a proibição de deixar o país e o bloqueio de bens e valores.
A defesa do governador nega irregularidades e afirma que ele sempre colaborou com as investigações, sustentando que as acusações serão esclarecidas no decorrer do processo.







