Manifestação pressionou pela conclusão do hospital do município e expôs histórico recente de denúncias envolvendo atendimento na unidade
Após três dias de bloqueio, moradores liberaram no fim da tarde de domingo (22) um trecho da BR-364, na altura do quilômetro 490, no município de Feijó, no interior do Acre. O protesto começou na sexta-feira (20) e reuniu cerca de 50 pessoas que reivindicavam melhorias no atendimento de saúde e a conclusão das obras do Hospital Geral da cidade.
Durante a interdição, a rodovia, principal eixo de ligação entre municípios do estado, registrou grandes filas de veículos nos dois sentidos. Caminhões, ônibus e carros de passeio ficaram parados por horas à espera das liberações parciais organizadas pelos manifestantes.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a situação permaneceu controlada ao longo da manifestação. A estratégia foi negociar aberturas periódicas da pista para evitar desabastecimento e garantir o transporte de pacientes.
Ambulâncias e veículos que transportavam carga viva tiveram prioridade na passagem. Ainda assim, motoristas relataram espera de até quatro horas para seguir viagem.
A mobilização refletiu a insatisfação de moradores com a estrutura de saúde local. Entre as principais cobranças estavam a reforma e a conclusão do novo hospital, obra considerada estratégica para ampliar a capacidade de atendimento no município e na região.

Governo promete entrega parcial do hospital
Em nota divulgada nesta segunda-feira (23), a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informaram que o primeiro bloco da nova unidade hospitalar deverá ser entregue até abril.
Segundo o governo estadual, a obra soma investimento superior a R$ 5 milhões, com recursos estaduais e federais liberados ao longo dos últimos três anos após entraves administrativos e contratuais. A gestão estadual também afirmou que a estrutura ampliará a capacidade de atendimento a mais de 30 mil moradores da região.
“Ressaltamos que a obra representa um investimento superior a R$ 5 milhões. Tais recursos são provenientes do Estado e de repasses federais, por meio do Ministério da Saúde, destinados ao Estado em 2013 e, em decorrência de entraves burocráticos e desafios com empresas e contratos, hoje devidamente solucionados, somente foram liberados nos três últimos anos. É fundamental esclarecer que estes recursos não são oriundos de emendas federais”, diz o comunicado.
No comunicado, o governo avaliou que disputas políticas ligadas ao cenário eleitoral de 2026 têm interferido no debate público sobre a obra.
“É lamentável que o processo eleitoral de 2026 contamine a execução de uma obra vital que beneficiará mais de 30 mil habitantes, fortalecendo a infraestrutura hospitalar da região”.
“A prioridade do governo do Acre é consolidar uma Saúde pública estruturada, moderna e funcional em todos os municípios. Nosso compromisso é garantir ambientes adequados para os profissionais de saúde e assegurar um atendimento digno e humanizado à população”.

Casos recentes aumentaram pressão sobre o hospital
A cobrança por melhorias ganhou força após episódios que colocaram o hospital de Feijó no centro de discussões sobre a qualidade do atendimento.
Em janeiro de 2024, a morte de Maria Daiane Souza da Silva, de 25 anos, após complicações em uma cesariana levou familiares a denunciarem negligência médica. A jovem sofreu hemorragia e parada cardíaca horas depois do parto.
No mês seguinte, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) abriu procedimento para investigar a recusa da unidade em realizar a interrupção da gravidez de uma gestante com feto anencéfalo. O órgão recomendou que o hospital cumprisse o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que desde 2012 permite o procedimento nesses casos.
Mais recentemente, em maio de 2025, a morte de Diogo Silva Albuquerque, de 12 anos, também provocou questionamentos da família sobre o atendimento recebido. O adolescente morreu em decorrência de sepse associada a uma infecção após um ferimento na perna. A Sesacre informou na ocasião que não houve omissão nem demora no atendimento.
Nota pública sobre a conclusão da obra do Hospital de Feijó
A respeito da manifestação pública realizada em Feijó, o governo do Estado do Acre reafirma o seu compromisso com a conclusão da obra do Hospital e informa que o primeiro bloco da nova unidade será entregue até o mês de abril, o que ampliará significativamente a capacidade de atendimento à população local e regional.
Ressaltamos que a obra representa um investimento superior a R$ 5 milhões. Tais recursos são provenientes do Estado e de repasses federais, por meio do Ministério da Saúde, destinados ao Estado em 2013 e, em decorrência de entraves burocráticos e desafios com empresas e contratos, hoje devidamente solucionados, somente foram liberados nos três últimos anos. É fundamental esclarecer que estes recursos não são oriundos de emendas federais.
É lamentável que o processo eleitoral de 2026 contamine a execução de uma obra vital que beneficiará mais de 30 mil habitantes, fortalecendo a infraestrutura hospitalar da região.
A prioridade do governo do Acre é consolidar uma Saúde pública estruturada, moderna e funcional em todos os municípios. Nosso compromisso é garantir ambientes adequados para os profissionais de saúde e assegurar um atendimento digno e humanizado à população.
Ítalo Lopes
Secretário de Estado de Obras Públicas
Pedro Pascoal
Secretário de Estado de Saúde







