Procissão do Cristo Morto reúne multidão e leva fé e reflexão social às ruas de Rio Branco

Celebração da Paixão do Senhor mobilizou fiéis de 27 paróquias e terminou com encenação na Gameleira.

Milhares de fiéis ocuparam as ruas de Rio Branco nesta Sexta-feira Santa, 3 de abril, durante a tradicional Procissão do Cristo Morto. A caminhada, um dos momentos mais marcantes da Semana Santa na capital, começou após a Celebração da Paixão do Senhor na Catedral Nossa Senhora de Nazaré e seguiu até o Calçadão da Gameleira, no Segundo Distrito, onde foi encenada a morte de Jesus.

O percurso deste ano teve mudanças. A procissão saiu da Avenida Brasil após o rito litúrgico e seguiu pelas ruas Floriano Peixoto, Rui Barbosa e Marechal Deodoro. Em seguida, os fiéis atravessaram a Ponte Coronel Sebastião Dantas, conhecida como Ponte de Concreto, em direção ao Segundo Distrito.

Fiéis caminham pelas ruas do Centro de Rio Branco em procissão com o Cristo Morto. Foto: Carina Castelo Branco/Proa

O trajeto continuou pelas ruas Dr. Pereira Passos, Seis de Agosto, 24 de Janeiro e Senador Eduardo Asmar até a chegada à Gameleira. Historicamente encerrada em frente ao Palácio Rio Branco, a procissão ganhou um novo destino, ampliando o trajeto e o alcance da celebração.

Ao longo do percurso, os participantes meditaram sobre as 14 estações da Via-Sacra, que recordam os últimos momentos de Jesus, da condenação à morte ao sepultamento. O tom predominante foi de recolhimento, com orações, cânticos e pausas para reflexão.

Padre Emanoel, reitor da Catedral Nossa Senhora de Nazaré. Foto: Carina Castelo Branco/Proa

Para o reitor da Catedral, padre Emanoel, o sentido da procissão vai além do percurso físico. “Esta procissão, ela é a caminhada espiritual que Jesus fez, saindo da casa de Pilatos, até o momento em que ele foi crucificado. Nós iremos refletir sobre todo esse processo”, disse. Ele também destacou o sentido espiritual da caminhada.

“Este dia é um dia de silêncio e de penitência. Porque é o dia da paixão do Senhor, Jesus foi crucificado. E como expressão desta dor que o Senhor passou por nós, os fiéis são chamados a viver num clima de recolhimento, num clima de oração. Então, este dia nos convida a pensar que Deus entregou a sua vida na cruz para gerar fraternidade entre nós. Cristo abriu seus braços na cruz para reunir os filhos de Deus em nossa família. E é um dia de refletir sobre a paz. A paz que nos une enquanto filhos de Deus, enquanto membros de uma mesma humanidade”, refletiu.

Devoto Assis Souza. Foto: Carina Castelo Branco/Proa

O devoto Assis Souza, da paróquia Santa Cruz, destacou o significado da data para os católicos. “É um momento muito importante para nós. A Sexta-feira da Paixão nos recorda o amor e a entrega de Jesus por cada um de nós. Para nós cristãos, não é apenas uma caminhada, mas a lembrança de um gesto de amor verdadeiro, de quem deu a vida e ressuscitou. Não foi em vão”.

Além da dimensão religiosa, a procissão também incorporou pautas sociais. Durante o percurso, houve momentos de oração contra a violência às mulheres e por moradia digna, tema que dialoga com a Campanha da Fraternidade deste ano.

Luciana Sarquis, da paróquia São Sebastião, destacou o compromisso dos fiéis com as questões sociais. Foto: Carina Castelo Branco/Proa

“Nós vivemos em um estado em que a moradia ainda é precária. Nós, enquanto cristãos, temos que assumir esse compromisso de promover a moradia digna para todos”, afirmou Luciana Sarquis, da paróquia São Sebastião. “Nós, como cristãos, temos que ter o compromisso de estar sempre em defesa da vida, sobretudo da vida dos excluídos, da vida dos mais empobrecidos, da vida dos fragilizados. É isso que Deus quer de cada um de nós”.

Procissão do Cristo Morto reúne multidão em Rio Branco. Foto: Juan Vicent/Proa

Entre os participantes, histórias pessoais reforçam o significado da tradição. O aposentado Áureo Azevedo, de 69 anos, acompanha a procissão desde a infância. “Participar desta procissão é uma coisa maravilhosa. É um momento em que Jesus percorreu o caminho do Calvário. E hoje estamos aqui, refletindo, meditando sobre esse momento lindo e maravilhoso. Deus é maravilhoso. Eu participo há uns 60 anos. Desde criança”.

A fé também se expressa em forma de agradecimento. Luíza do Nascimento da Costa, de 68 anos, participou da caminhada para cumprir uma promessa.

“Para mim, tem um significado muito importante, porque o ano passado, numa época dessa, eu estava buscando fazer um tratamento, e eu fiz o propósito de realizar esse tratamento. Fiz tudo pelo SUS e, graças a Deus, correu tudo bem. Hoje eu estou aqui para agradecer por tudo que aconteceu e por estar bem de saúde. Eu tinha um nódulo no rim e hoje estou aqui, com saúde, só glorificando a Deus”, agradece Luíza.

Encenação da Paixão de Cristo. Foto: Juan Vicent/Proa

A Procissão do Cristo Morto integra a programação da Semana Santa, iniciada no último dia 28 com a bênção dos ramos. Ao final da programação, foi encenada a Paixão de Cristo, espetáculo que retrata a morte e ressurreição de Jesus, realizado às margens do Rio Acre, no Calçadão da Gameleira.

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