Gladson Camelí afirma que ação se refere a denúncia sobre processo para obtenção de brevê de piloto e diz que prestou esclarecimentos com tranquilidade
A Polícia Federal realizou, nas primeiras horas desta quinta-feira (5), uma operação na residência oficial do governador do Acre, Gladson Camelí, localizada no Condomínio Recanto Verde, em Rio Branco.
A ação foi confirmada pelo próprio chefe do Executivo estadual por meio de nota, na qual informou que os agentes recolheram dispositivos eletrônicos e uma quantia em dinheiro mantida, segundo ele, como reserva financeira pessoal.
Gladson Camelí declarou que recebeu os agentes em casa e que a abordagem ocorreu em razão de uma denúncia envolvendo sua formação como piloto.
“Nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, atendi, em minha residência, representantes da Polícia Federal, que buscavam informações a respeito de uma denúncia sobre processo de avaliação para obtenção de registro de piloto em uma escola de aviação local, onde fui aluno”, disse.
O governador afirmou que prestou esclarecimentos, disse que o dinheiro recolhido é de origem privada e que apresentará documentos para comprovar a procedência dos valores.
“Com tranquilidade e transparência, prestei todas as informações solicitadas. Os policiais recolheram dispositivos eletrônicos e uma quantia em dinheiro, de origem privada, que mantinha como reserva financeira e cuja comprovação será apresentada às autoridades”.
Também afirmou que mantém serenidade diante da investigação, agradeceu manifestações de apoio e sustentou que estaria sendo alvo de perseguição política em período pré-eleitoral.
“Mantenho-me sereno quanto ao ocorrido. Desde já, agradeço as manifestações de apoio da população. Reiterando minha confiança na Justiça, lamento as tentativas de perseguição e, mais uma vez, de estratégia política com o objetivo de me atingir na proximidade das eleições”, finalizou.
Até o momento, a PF não divulgou informações oficiais sobre a diligência. Mais cedo, o jornalista Léo Rosas havia noticiado a movimentação em redes sociais e afirmou que a ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), teria autorizado a operação e determinado que ela não fosse divulgada previamente.
Segundo Rosas, a apuração não estaria relacionada à Operação Ptolomeu, investigação anterior que teve como alvo integrantes do governo acreano, mas a uma suposta irregularidade no processo de obtenção do brevê de piloto do governador em uma escola de aviação local. Essas informações, no entanto, não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades.
A operação ocorre em um contexto de investigações envolvendo agentes públicos no estado. Em 2023, Gladson Camelí foi citado em inquéritos decorrentes da Operação Ptolomeu, que apurou suspeitas de corrupção e organização criminosa no âmbito do governo do Acre.
No Superior Tribunal de Justiça, o governador responde a uma ação penal relacionada a desdobramentos dessa investigação. O julgamento teve início em dezembro do ano passado, quando a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, apresentou voto pela condenação do chefe do Executivo estadual, com fixação de pena, perda do cargo e ressarcimento aos cofres públicos.
Após o voto da relatora, a análise foi suspensa por pedido de vista do ministro João Otávio de Noronha, o que interrompeu temporariamente a conclusão do julgamento. A decisão final depende ainda dos votos dos demais integrantes da Corte Especial do STJ.
Enquanto o processo não é concluído, Gladson Camelí permanece no cargo, e a ação segue em tramitação no tribunal superior. O governador sempre negou irregularidades.
Nota do governador Gladson Camelí, na íntegra
“Nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, atendi, em minha residência, representantes da Polícia Federal, que buscavam informações a respeito de uma denúncia sobre processo de avaliação para obtenção de registro de piloto em uma escola de aviação local, onde fui aluno.
Com tranquilidade e transparência, prestei todas as informações solicitadas. Os policiais recolheram dispositivos eletrônicos e uma quantia em dinheiro, de origem privada, que mantinha como reserva financeira e cuja comprovação será apresentada às autoridades.
Mantenho-me sereno quanto ao ocorrido. Desde já, agradeço as manifestações de apoio da população. Reiterando minha confiança na Justiça, lamento as tentativas de perseguição e, mais uma vez, de estratégia política com o objetivo de me atingir na proximidade das eleições”.






