Ação integrada da Polícia Civil e do Ministério Público do Acre atinge grupo envolvido em tráfico de drogas, extorsão e crimes violentos.
Quinze pessoas foram presas durante a Operação Casa Maior, deflagrada nesta terça-feira (13), em uma ação conjunta da Polícia Civil do Acre e do Ministério Público do Estado (MPAC). A ofensiva cumpriu mais de cem ordens judiciais e teve como foco uma organização criminosa com forte atuação interestadual, investigada por tráfico de drogas, extorsão e crimes violentos.
No total, a Justiça expediu 62 mandados de prisão preventiva e 39 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias utilizadas pela organização. Até o momento, além das prisões, foram apreendidos mais de R$ 27 mil em dinheiro, uma arma de fogo, munições e veículos ligados ao grupo criminoso.
No Acre, a operação foi coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) da PCAC e executada pela Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), em conjunto com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), e contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPAC.
As ordens judiciais foram cumpridas em Rio Branco, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, além dos estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraíba e Mato Grosso. Segundo as autoridades, a expansão da operação para outros seis estados ocorreu devido à ampla ramificação da organização, que mantinha integrantes estratégicos fora do território acreano.

Em entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, José Henrique Maciel, afirmou que a operação é resultado de anos de investigação e não encerra o trabalho policial.
“As investigações não param por aqui. Estamos falando de um grupo criminoso altamente estruturado, que atuava na cobrança de pedágio de comerciantes, deliberava comandos para execuções e exercia papel decisivo dentro da organização criminosa. Não descartamos novas prisões e apreensões. Esse trabalho continua”, declarou.
O coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Bernardo Albano, destacou a complexidade do esquema criminoso e suas conexões fora do estado.
“Foi identificada uma ligação direta entre criminosos do Acre com presos do sistema prisional do Rio de Janeiro e também com foragidos daquele estado. A investigação revelou ainda a participação de advogados já condenados por integrar organização criminosa, além do envolvimento de esposas de lideranças, que passaram a expedir ordens após a prisão de seus maridos”, afirmou.

As apurações também permitiram o bloqueio de um fluxo financeiro considerado expressivo, utilizado para financiar as atividades criminosas e manter o padrão de vida das lideranças da facção. Os investigadores conseguiram ainda mapear a estrutura interna da organização, incluindo hierarquia, disputas de poder e processos de tomada de decisão.
Além do tráfico de drogas, a Operação Casa Maior desarticulou esquemas de extorsão contra comerciantes do centro de Rio Branco, obrigados a pagar supostas taxas de segurança impostas pelo grupo criminoso. Para as forças de segurança, a ação representa um golpe relevante contra o crime organizado e reforça a atuação integrada entre Polícia Civil e Ministério Público no enfrentamento às facções no Acre e no país.


