16ª Festa de Iemanjá levou centenas de pessoas às ruas da capital acreana em ato público que uniu fé, cultura e combate ao racismo religioso.
Um cortejo religioso tomou as ruas do Centro de Rio Branco na tarde desta segunda-feira (2) em celebração ao Dia de Iemanjá. A mobilização integra a programação da 16ª Festa de Iemanjá, e reuniu filhos de santo, lideranças religiosas e simpatizantes das religiões de matriz africana em um ato marcado por fé, cultura e enfrentamento ao racismo religioso.
A concentração começou às 16h, em frente ao Memorial dos Autonomistas, com saída do cortejo entre 17h e 17h30. O percurso seguiu até as proximidades da Ponte Metálica, ao lado da Orla da Base, onde ocorreu a entrega de oferendas à divindade, com apoio do Corpo de Bombeiros.
O evento, promovido há mais de duas décadas pelo Ilê Asé Yemonjá Sobá, se consolidou como uma das principais manifestações religiosas e culturais da capital acreana. Ao longo do trajeto, participantes carregaram velas, flores e outros elementos simbólicos em homenagem à Rainha do Mar.

A programação incluiu apresentações de maracatu, samba e batuques tradicionais. O grupo Maracatu Pé Rachado e os Batuqueiros do Coco abriram o cortejo deste ano, conduzindo o ritmo da caminhada e atraindo a atenção de quem acompanhava pelas calçadas.
Durante o ato, lideranças ressaltaram o caráter político da celebração. “É um ato político, né, para a gente colocar um pouco nosso espaço para as pessoas, mostrar que as pessoas têm uma mania de falar que o Candomblé é um bando do demônio e não é uma religião. Nós nem acreditamos nisso, né? Nós somos uma religião de matriz africana. Por ser uma religião que veio de pessoas pretas, ela sempre foi demonizada no Brasil, desde sempre perseguida. Então a importância de hoje vem justamente para isso, para botar o nosso espaço”, afirmou Lídia Marciel.

A militância de Lídia ecoa relatos e dados oficiais que colocam as religiões de matriz africana como os principais alvos de intolerância no Brasil. Entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano, as tradições afro-brasileiras concentraram as maiores incidências de denúncias de ataque à liberdade religiosa no país, conforme levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Os registros apontam que terreiros de Umbanda e Candomblé, e seus frequentadores, enfrentam violências que vão de discriminação verbal a agressões físicas, refletindo uma forma de racismo religioso estrutural.

Nathânia Oliveira destacou a importância de reforçar a visibilidade dessas tradições religiosas. “Aqui na nossa cidade a gente anda a passos lentos, caminha muito devagar nesse combate à intolerância religiosa, ao racismo religioso, e esse momento é mais um passo que a gente está dando para fortalecer as lutas das comunidades tradicionais de matriz africana e para mostrar para as pessoas que a gente está aqui para celebrar”.
A Festa de Iemanjá em Rio Branco ocorre anualmente e integra o calendário de atividades das comunidades de matriz africana no Acre, que utilizam o espaço público tanto para celebração religiosa quanto para afirmar direitos e visibilidade cultural.






















































































































