Abrahão Felício Neto foi detido na Operação Regresso, da Ficco-AC; Justiça bloqueou até R$ 5 milhões e cumpriu 23 mandados em três estados.
O empresário Abrahão Felício Neto foi preso nesta quarta-feira (11) durante a Operação Regresso, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre (Ficco-AC), que investiga um grupo suspeito de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele é neto dos fundadores do Grupo Miragina, segundo informações apuradas pela Rede Amazônica Acre e pelo g1.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco. As ordens judiciais são executadas em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Aracaju, em Sergipe. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 5 milhões.
Durante a ação, três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, duas na capital e uma no interior. A polícia apreendeu ainda cinco veículos e dinheiro em espécie.
Empresa não é alvo, diz polícia
Embora diligências tenham sido realizadas na sede da Miragina, em Rio Branco, a Polícia Federal informou que a empresa não é alvo da operação. Segundo os investigadores, o empresário preso teria se utilizado indevidamente da estrutura da empresa para a prática dos crimes apurados.
Em nota, a Miragina S/A Indústria e Comércio afirma que não é parte investigada nem é mencionada no inquérito policial. A empresa sustenta que não é alvo de qualquer ordem judicial e que mantém suas atividades regulares.
O advogado da empresa, Gilliard Nobre Rocha, declarou que a operação menciona “uma pessoa ligada a uma das acionistas”, mas que o empresário preso “não possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A”. A defesa acrescenta que o processo tramita sob sigilo, o que limita o acesso aos autos.
A reportagem tenta contato com a defesa de Abrahão Felício Neto.
Estrutura organizada e envio interestadual
As investigações, conduzidas de forma integrada pelas polícias Federal, Civil, Militar e Penal, apontam que o grupo atuaria de maneira estruturada no envio de drogas para outros estados.
Ao longo da apuração, foram identificados ao menos cinco episódios relacionados ao tráfico, que resultaram na apreensão de aproximadamente 350 quilos de cocaína no Acre, Pará e Goiás.
Segundo o delegado da Polícia Federal Rodrigo Muniz, “um dos líderes do grupo investigado, oriundo de uma conhecida família acreana, exercia papel central na coordenação das atividades ilícitas, articulando negociações e logística para o transporte das drogas”.
A investigação também apura a utilização de mecanismos para ocultação de patrimônio, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Os suspeitos poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Histórico de apreensão envolvendo carga da marca
A marca Miragina já havia sido associada a uma ocorrência policial em dezembro de 2022, quando um caminhão que transportava biscoitos da empresa foi apreendido com 468 quilos de cocaína na BR-070, em Poconé, no Mato Grosso.
Na ocasião, a Polícia Rodoviária Federal interceptou a carreta após notar dificuldades do condutor em realizar manobras, comportamento considerado incompatível com o perfil de motorista profissional. O motorista afirmou que levaria o veículo para o Rio Grande do Norte a pedido de alguém que conhecia apenas por mensagens de aplicativo e que não sabia detalhes sobre a negociação.
Em nota divulgada à época, a empresa declarou que “não possuía qualquer responsabilidade quanto à guarda e transporte dos produtos por ela vendidos, tão logo sejam retirados pelos clientes em sua fábrica”.
Nota na íntegra da empresa
A Miragina S/A Indústria e Comércio vem a público esclarecer informações veiculadas acerca da “Operação Regresso”, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (11).
Diante das notícias que circulam, a Miragina S/A destaca que não é alvo, direta ou indiretamente, da referida operação policial. Não é parte investigada, não é mencionada no inquérito, e não é alvo de qualquer ordem judicial.
Apesar de ter comparecido à sede da empresa na manhã de hoje, a Polícia Federal não realizou qualquer de diligência em desfavor da empresa, que mantém suas atividades regulares e preza pela transparência e conformidade legal em todas as suas operações.
Dentre as diversas pessoas investigadas, do que se pode conhecer, a operação menciona uma pessoa ligada a uma das acionistas. Esta pessoa, contudo, não possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A.
Até o presente momento, os autos processuais encontram-se sob sigilo de Justiça. Por esta razão, a empresa e sua defesa técnica estão impossibilitadas de prestar maiores detalhes sobre o conteúdo da investigação.
Por fim, a Miragina S/A reafirma seu compromisso histórico com o desenvolvimento do Acre e com a ética que pauta sua atuação há décadas, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
Miragina S/A Indústria e Comércio
R/P Gilliard Nobre Rocha
OAB/AC 2.833 | OAB/RO 4.864







