Moraes autoriza saída de Bolsonaro da prisão para realizar exames após queda na cela

Ex-presidente poderá realizar tomografia, ressonância e eletroencefalograma em hospital de Brasília, sob escolta e de forma discreta.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (7) a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde está preso, para a realização de exames de imagem no Hospital DF Star.

A decisão ocorre após Bolsonaro sofrer uma queda na madrugada de terça-feira (6), dentro da cela onde cumpre pena.

Com a autorização, o ex-presidente poderá deixar a unidade da PF ainda nesta quarta para realizar tomografia de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma. Moraes determinou que todo o deslocamento seja feito de maneira discreta, com escolta da Polícia Federal.

Na decisão, o ministro relembrou que, em 11 de dezembro, já havia determinado que Bolsonaro tivesse atendimento médico em tempo integral. Segundo Moraes, essa medida garantiu o pronto atendimento pela equipe médica da PF, que avaliou, inicialmente, não haver necessidade de remoção imediata do custodiado para um hospital.

Moraes ainda frisa que a PF deverá providenciar “a completa vigilância e segurança do custodiado durante a realização dos exames e o posterior retorno à Superintendência da Polícia Federal”.

Na terça-feira (6), o ministro havia negado um primeiro pedido da defesa para a realização dos exames fora da unidade prisional. Na ocasião, Moraes exigiu a apresentação do laudo da perícia da Polícia Federal e os pedidos formais dos médicos particulares do ex-presidente.

Após a negativa, os advogados de Bolsonaro protocolaram nova petição, anexando avaliação do médico particular Admar Concon de Oliveira. No documento, o profissional afirma que o quadro clínico é compatível com traumatismo craniano, síncope noturna associada à queda, possível crise convulsiva, oscilação de memória e lesão contusa na cabeça.

A informação sobre a queda foi divulgada inicialmente pela esposa de Jair, Michelle Bolsonaro, em publicações nas redes sociais. Segundo ela, o ex-presidente “teve uma crise, caiu e bateu a cabeça no móvel”.

“Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise caiu e bateu a cabeça no móvel”, disse Michelle.

Após avaliação, o médico responsável recomendou que ele permanecesse sob observação.

Em seguida, a Polícia Federal confirmou o episódio e informou que o atendimento médico foi solicitado pelo próprio Bolsonaro, após ele relatar a queda à equipe de plantão.

Em nota, a PF afirmou que foram constatados ferimentos leves e que, naquele momento, não havia necessidade de encaminhamento hospitalar. Inicialmente, a corporação chegou a informar que a ida ao hospital ocorreria após pedido do médico particular, mas atualizou a informação horas depois, esclarecendo que a saída dependeria de autorização do STF.

Michelle Bolsonaro também afirmou que o ex-presidente não sabe por quanto tempo permaneceu desacordado. Segundo ela, a visita prevista para as 9h ocorreu apenas às 10h, porque Bolsonaro estava recebendo os primeiros socorros. “Já se passaram aproximadamente 6 horas e 36 minutos desde o ocorrido, sem que ele tenha podido realizar os exames necessários para verificar se houve algum trauma ou possível dano neurológico”, escreveu.

Jair Bolsonaro está detido em uma sala especial da Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 22 de novembro. Ele cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão após condenação por tentativa de golpe de Estado.

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