Histórico! Lucas Pinheiro Braathen é ouro, e Brasil ganha primeira medalha nas Olimpíadas de Inverno

Vitória no slalom gigante, em Bormio, marca estreia do país no quadro de medalhas dos Jogos de Inverno.

O Brasil entrou para a história dos esportes de inverno neste sábado, 14 de fevereiro. Lucas Pinheiro, 25 anos, venceu o slalom gigante em Bormio, na Itália, e garantiu a primeira medalha olímpica do país em Jogos de Inverno. O resultado coloca o Brasil no topo do pódio do esqui alpino e inaugura um capítulo inédito para o esporte nacional.

Com tempo total de 2min25s00, o brasileiro superou o suíço Marco Odermatt por 0s58. Loic Meillard, também da Suíça, completou o pódio. A conquista tem dimensão continental. É a primeira medalha da América Latina na história dos Jogos e a terceira obtida por um país do Hemisfério Sul.

A vitória começou a ser desenhada ainda na largada. Primeiro a descer entre 81 competidores, Lucas aproveitou as condições mais regulares da pista e assumiu a liderança já na primeira bateria. Manteve o controle na segunda descida, mesmo com o traçado mais desgastado e sob neve constante, cenário que exigiu precisão técnica e leitura rápida da pista.

“É inexplicável. Eu não sei como colocar as minhas sensações em palavras. Só queria compartilhar com todo mundo que está me assistindo no Brasil. Isso pode ser fonte de inspiração para crianças da próxima geração. Não importa de onde você é, as roupas que veste, a cor da sua pele. O que importa é o que existe dentro. Vim com o coração e a força brasileira para levar essa bandeira para cima do pódio. É do Brasil!”, afirmou o atleta após a prova.

Na primeira descida, o tempo de 1min13s92 abriu margem confortável sobre os principais rivais. Antes da segunda tentativa, Lucas já antecipava as dificuldades impostas pela pista mais marcada.

“Eu me senti muito conectado com meu coração. Povo do Brasil todo assistindo. Tentei esquiar do jeito que sou, e o resultado foi bom. Vou me reconectar com a minha equipe, fazer as modificações que a gente precisa preparar até a segunda descida. A neve será totalmente diferente, vai estar muito mais ‘quebrada’. Sei como fazer isso muito bem. Vou esquiar com meu coração”, declarou.

Na etapa decisiva, registrou 1min11s08 e confirmou o ouro. “Foi uma guerra. Eu estava puxando, sempre tentando achar velocidade para descer num ritmo bem rápido. Como estávamos falando, a neve fica completamente diferente entre as descidas. É preciso ajustar, e eu consegui isso, encontrar um equilíbrio”, explicou.

Mudança de bandeira e consolidação

Nascido em Oslo, na Noruega, filho de mãe brasileira, Lucas competiu pelos noruegueses em Pequim 2022. A mudança de nacionalidade esportiva ocorreu em 2024. Desde então, passou a defender o Brasil e acumulou resultados consistentes na Copa do Mundo de esqui alpino.

A medalha em Milão-Cortina representa uma ruptura com o histórico modesto do país na modalidade. Até este sábado, o melhor desempenho brasileiro em Jogos de Inverno era o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, em 2006.

A cena do atleta deitado na neve, emocionado após cruzar a linha de chegada, simboliza o alcance da conquista. Um país identificado internacionalmente pelo clima tropical agora tem um campeão olímpico no gelo europeu.

Outros brasileiros na disputa

Giovanni Ongaro, 22 anos, também integrou a delegação brasileira e terminou na 31ª posição, com 2min34s15. Nascido em Clusone, na Itália, e filho de mãe brasileira, ele disputou sua primeira Olimpíada.

Lucas retorna à pista na segunda-feira, dia 16, para o slalom, prova mais curta e ainda mais técnica, com portas mais próximas e exigência maior nas mudanças de direção. Depois do ouro histórico, o Brasil passa a competir não apenas para participar, mas para disputar medalhas.

Pódio do slalom gigante

🥇 Lucas Pinheiro – Brasil – 2min25s00
🥈 Marco Odermatt – Suíça – 2min25s58
🥉 Loic Meillard – Suíça – 2min26s17

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