Governo Lula destrava Arranjos Regionais do Audiovisual e leva quase R$ 3 milhões ao Acre

Estado garante contrapartida mínima e passa a integrar política nacional de fomento ao cinema fora do eixo Rio–São Paulo.

O Acre passou a integrar a política de Arranjos Regionais do Audiovisual após articulação do governo federal que assegurou a contrapartida mínima do Estado e viabilizou a complementação de recursos da União. O montante destinado ao setor chega a quase R$ 3 milhões, segundo a coordenadora do escritório do Ministério da Cultura (Minc) no estado, Camila Cabeça.

A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de retomar o financiamento direto ao audiovisual fora dos grandes centros produtores, com foco na descentralização e no fortalecimento de cadeias regionais.

Camila afirmou que o escritório do Minc no estado atuou diretamente para assegurar o repasse de R$ 500 mil do governo acreano, condição necessária para acessar a política nacional. “Nós fomos atrás, junto ao gabinete do professor Minoru, para garantir que o Estado fizesse o repasse mínimo, que era de 500 mil reais e foi esse”, disse.

Com a contrapartida assegurada, o Acre passou a acessar recursos federais que ampliaram o volume total disponível para investimentos no setor. “Com isso, a gente passou a ter essa quantia de quase 3 milhões”, disse a coordenadora, destacando que os recursos devem priorizar ações de formação e estruturação da cadeia produtiva.

Apesar do avanço, o valor aportado pelo governo estadual ficou abaixo do que era defendido por representantes do setor. Segundo Camila, a proposta inicial previa uma contrapartida de R$ 2 milhões, o que permitiria ampliar significativamente o volume de recursos federais e estruturar um plano mais robusto.

“A proposta inicial do audiovisual era de 2 milhões de reais para que viesse cinco vezes mais”, explicou. O desenho previa a realização de oficinas, a criação de três polos de produção e a interiorização das ações, com alcance ao Vale do Juruá, além da possibilidade de viabilizar a produção de um filme dentro do plano de trabalho. “Mas o repasse do governo do Estado, infelizmente, foi o mínimo”, completou.

A política de Arranjos Regionais do Audiovisual integra um redesenho mais amplo das ações federais para o setor cultural. A iniciativa busca reequilibrar a distribuição de recursos, historicamente concentrados no eixo Rio–São Paulo, e estimular a produção em territórios com menor acesso a financiamento.

Camila comparou o cenário acreano com o de outros estados para dimensionar o potencial do programa. Segundo ela, o Ceará investiu cerca de R$ 20 milhões e alcançou R$ 60 milhões em recursos totais, enquanto o Amazonas aplicou R$ 2 milhões para ampliar sua participação no mecanismo.

A coordenadora também relacionou o novo aporte ao momento de expansão do audiovisual acreano, marcado por produções premiadas e pelo crescente interesse de produtoras externas em filmar no estado. Para ela, o investimento em formação pode consolidar o Acre como um polo emergente dentro da indústria cinematográfica brasileira.

“A gente precisa desse incentivo”, afirmou, ao defender a descentralização dos investimentos e a ampliação do acesso ao financiamento público como forma de corrigir desigualdades históricas no setor, especialmente na Amazônia.

O modelo adotado pelo Ministério da Cultura prevê a combinação entre recursos federais, execução local e participação dos governos estaduais, com protagonismo de profissionais e coletivos que atuam no território. A mobilização do setor organizado também foi apontada como decisiva para inserir o tema na agenda pública.

“Foi o movimento do audiovisual organizado, sobretudo as mulheres do audiovisual do Acre”, destacou.

Como funciona o programa

Os Arranjos Regionais do Audiovisual são uma política pública voltada à ampliação do investimento em cinema e produção audiovisual em estados fora do eixo tradicional. O modelo opera por meio da complementaridade de recursos.

Na prática, estados e municípios aportam uma contrapartida financeira e, a partir disso, acessam recursos federais, geralmente via Fundo Setorial do Audiovisual. Esse mecanismo multiplica o volume disponível e permite a criação de editais locais.

Os recursos podem financiar diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo desenvolvimento de projetos, produção, finalização, formação profissional, circulação e exibição. O objetivo é estruturar o setor, gerar emprego e garantir condições para que histórias locais sejam produzidas com maior regularidade e alcance.

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