Feminicídio de servidora mobiliza protesto por justiça e fim da violência contra a mulher em Rio Branco

Ivanilde Souza da Silva, de 42 anos, foi assassinada na noite desta terça-feira (26) com golpes de tábua de cortar carne na cabeça, dentro da própria casa.

Ivanilde Souza da Silva, servidora pública e mãe de três filhos, completaria 43 anos nesta quarta-feira (27), mas foi brutalmente assassinada na noite de terça-feira (26), dentro da própria casa no bairro Belo Jardim 1, em Rio Branco, vítima de feminicídio. O principal suspeito é o companheiro dela, Jerberson do Nascimento Soares, de 26 anos, que fugiu do local e foi preso horas após o crime pela polícia.

Ivanilde Souza da Silva, de 42 anos, foi assassinada com golpes de uma tábua de cortar carne na cabeça no AC; suspeito é o marido. Foto: Reprodução

O caso gerou forte repercussão e mobilizou colegas e servidores da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Acre (Emater-AC) e da Companhia de Armazéns Gerais e Entrepostos do Acre (Cageacre), onde Ivanilde trabalhava. Na manhã desta quarta-feira, eles organizaram um ato público em frente à instituição em protesto contra o feminicídio, reunindo amigos, familiares e colegas que pedem justiça e políticas mais eficazes de proteção às mulheres.

“Esse era um momento para estarmos comemorando, mas em vez disso estamos aqui, mais uma vez falando de feminicídio. Até quando vão tirar nossas vidas?”, qustionou Letícia Pessoa, servidora presente no ato.

Foto: Juan Vicent/Proa

Para Vera Gurgel, a partida de Ivanilde é ainda mais dolorosa por ocorrer no dia de seu aniversário. “É triste lamentar hoje a partida da nossa colega, Ivanilde, no dia do aniversário dela, por uma violência cometida por quem se dizia companheiro. Estamos no Agosto Lilás e precisamos reforçar: não ao feminicídio.”

Já Maria Leudes destacou a importância da união na luta contra a violência de gênero: “Só vamos mudar essa realidade quando nos unirmos. Hoje seria aniversário da Ivanilde e do filho dela, que deveríamos estar festejando, mas estamos lamentando mais um feminicídio.”

Em nota, o Secretário de Estado de Agricultura, José Luís Tchê, classificou a morte de Ivanilde como um “ato covarde e inaceitável” e reforçou o compromisso do governo em apoiar a luta pelo fim da violência de gênero.

“Perdemos Ivanilde para a face mais cruel da violência: o feminicídio. Não podemos aceitar que mais mulheres sejam vítimas dessa barbárie que destrói famílias e fere toda a sociedade”, disse Tchê. Ele também reforçou a necessidade de justiça e políticas de proteção mais efetivas para mulheres.

Jerberson do Nascimento Soares, de 26 anos, é o principal suspeito do crime e está foragido. Foto: Reprodução

O crime

Ivanilde Souza da Silva, de 42 anos, foi brutalmente assassinada dentro de casa, na noite desta terça-feira (26), na Travessa do Chicão, bairro Belo Jardim I, no Segundo Distrito de Rio Branco. O principal suspeito é o marido, Gerbeson do Nascimento Soares, de 26 anos, que fugiu do local após o crime.

De acordo com informações da Polícia Militar do Acre (PM-AC), uma testemunha relatou que ouviu uma intensa discussão por volta das 18h30 e, logo em seguida, viu Gerbeson sair correndo da residência. Ao entrar na casa, a testemunha encontrou Ivanilde caída na cama, com a cabeça gravemente ferida e sangrando. Ao lado do corpo, estava uma tábua de cortar carne suja de sangue, apontada como a arma usada no crime.

A testemunha acionou imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a polícia. Segundo a equipe médica, o chamado foi registrado por volta das 21h, e uma ambulância de suporte avançado foi enviada ao local. No entanto, Ivanilde já estava sem vida. A equipe constatou que a vítima sofreu traumatismo causado por agressão física severa.

A PM informou ainda que, no mesmo dia do crime, Ivanilde havia buscado o marido no hospital após ele sofrer uma suposta overdose, e foi morta poucas horas depois.

Ainda na manhã desta quarta-feira (27), enquanto colegas de Ivanilde protestavam contra o feminicídio, a Polícia Civil do Acre, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), deu cumprimento ao mandado de prisão preventiva contra Gerbeson. Ele se apresentou espontaneamente na Delegacia de Flagrantes (Defla), mas já havia contra ele uma ordem judicial expedida.

O crime está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Como denunciar

Números disponibilizados pela PM do Acre para que a mulher peça ajuda:

  • (68) 99609-3901
  • (68) 99611-3224
  • (68) 99610-4372
  • (68) 99614-2935

Outras formas de denunciar casos de violência contra a mulher:

  • Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;
  • Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
  • Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
  • Qualquer delegacia de polícia;
  • Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel.
  • Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
  • Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
  • WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;
  • Ministério Público;
  • Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

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