“Não vou ser boi de piranha pra base ganhar cargo do prefeito”, dispara Neném Almeida ao cobrar CPI

Vereador afirma que não aceitará ser usado em disputa política e dá prazo de um mês para que assinaturas necessárias sejam reunidas para investigar o sistema de transporte público da capital.

A crise no transporte coletivo de Rio Branco ganhou novos contornos políticos nesta terça-feira (17). Em meio a ameaças de paralisação, cancelamento de linhas e questionamentos sobre a atuação da concessionária Ricco Transportes, o debate chegou ao plenário da Câmara Municipal e evidenciou tensão entre vereadores da base e da oposição.

O vereador Neném Almeida (MDB), durante pronunciamento na tribuna, fez duras críticas ao comportamento dos parlamentares diante da crise que afeta o sistema de transporte da capital acreana. Em tom de indignação, ele afirmou que o Legislativo estaria tratando o tema como “um verdadeiro teatro” e acusou colegas de omissão diante das dificuldades enfrentadas diariamente por usuários do transporte público.

A cobrança ocorre em meio ao impasse sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades no sistema, incluindo a atuação da empresa responsável pelo serviço, a condução da política de transporte pela gestão do prefeito Tião Bocalom e a aplicação de recursos públicos destinados a subsídios do setor.

Até o momento, o pedido de criação da comissão reúne cinco assinaturas de vereadores, todas da oposição. Para que a investigação seja instaurada oficialmente, são necessárias sete assinaturas.

“Assinem a CPI! Falta só duas!”, afirmou Neném Almeida ao cobrar apoio dos colegas. Segundo ele, há uma contradição entre o discurso público de preocupação com o transporte coletivo e a resistência em avançar com uma investigação formal.

O parlamentar também sugeriu que o impasse poderia estar sendo usado como instrumento de pressão política. Sem apresentar provas, disse ter conhecimento de articulações nos bastidores e estabeleceu um prazo de um mês para que as duas assinaturas restantes sejam obtidas.

Caso contrário, afirmou que pretende retirar seu apoio à proposta. “Eu não vou ser boi de piranha pra base ganhar cargo do prefeito. Não vou ser boi de piranha pra fazerem chantagem com a Prefeitura”, declarou.

Até o momento, vereadores da base aliada ao prefeito não se pronunciaram publicamente sobre as acusações feitas pelo parlamentar. O episódio evidencia o desgaste nas relações entre Executivo e Legislativo em meio à crise do transporte público na capital.

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