Intervenção do coletivo Jr Trz, Cisko, Mb e Dems transforma o espaço na Praça Povos da Floresta, no Centro da capital acreana.
Quem atravessa a Praça Povos da Floresta, no Centro de Rio Branco, nos últimos dias percebe que algo mudou na paisagem. A tradicional Banca do Pelé, ponto histórico da capital acreana, agora tem paredes cobertas de tinta fresca, grafismos e personagens que contam histórias. Não apenas sobre a cidade, mas sobre quem cresceu nela.
A nova fachada é resultado de uma intervenção realizada pelos artistas do Coletivo de Culturas Urbanas Jr Trz, Cisko, Mb e Dems. A ação transformou o espaço em um marco de memória e convivência, preservando a sua dimensão afetiva.
Há mais de cinquenta anos, a Banca ultrapassa a função comercial e funciona como ponto de encontro, formação de leitores e referência cultural para gerações de moradores.
Atrás das pilhas de jornais e revistas, Antônio Augusto, o Pelé, observa a mudança como quem acompanha a própria história ganhar nova moldura. Para ele, a transformação alterou o clima da praça.

“Foi muito importante essa mudança que foi feita aqui. Muito bonito o serviço do Júnior, valorizando esse centro de cidade. Nós estamos hoje numa praça que podemos dizer que está alegre, porque está sendo cultivada, tratada com o cuidado que merece”, afirma.
Ele ressalta que a pintura não fica só na estética. A revitalização cria permanência e abre espaço para a convivência cotidiana. “As famílias vão poder se reunir, trazer seus filhinhos, ter entretenimento, vai ter área cultural aqui. Traz luz, traz coisas diferentes.”

A homenagem partiu justamente de quem cresceu ao redor da banca. O artista Júnior TRZ conta que carregava a ideia há anos. Não por acaso. “Tem aquela ideia que as boas energias se juntam, então acho que foi isso. Eu já queria fazer uma homenagem para o Pelé há muito tempo. Muitas mãos se juntaram para valorizar o espaço, trazer luz e atividades culturais”, disse.
TRZ lembra que, antes da internet, o acesso à cultura urbana passava pela Banca do Pelé. “Conseguimos fazer a homenagem que queríamos, ele é um ícone para mim. Fortalecia a gente com as revistas de skate, de grafite, de quadrinhos, que só encontrávamos pedindo pelos catálogos. Ele foi a ponte que nos deu acesso a essas revistas dos anos 2000 até agora.”
Por isso, explica o artista, a pintura não busca apenas embelezar. Ela devolve ao espaço a visibilidade do que sempre foi: um ponto de formação cultural e social. Quem confirma esse papel é a moradora e frequentadora Dauane Freitas. A relação dela com a banca começa na infância, quando ler era esforço e descoberta. Sem celular ou vídeos, a motivação vinha das historinhas. Foi assim que aprendeu a gostar da leitura.
“Na minha época não existia internet, celular, YouTube. A gente se esforçava para aprender a ler, para conseguir ler as historinhas. Foi assim que aprendi a gostar da leitura”, revela. Hoje, ela retorna com o filho tentando repetir a experiência. “Quero passar isso para ele, tirar um pouco do foco da internet. Aqui é mais criativo. Ele já gosta do caça-palavra e isso ajuda na leitura”.







