Por Aarão Prado
Representar um estado no Senado é mais do que ocupar uma cadeira em Brasília. É presença, articulação e capacidade de colocar os interesses da população no centro das decisões nacionais. Ao longo da sua história, o Acre construiu uma tradição de parlamentares que souberam exercer esse papel com protagonismo e respeito.
Entre esses nomes, está Nabor Júnior, uma das lideranças mais importantes do período de consolidação institucional do estado. Sua atuação foi marcada pela articulação política e pela defesa de investimentos em um momento decisivo para a afirmação do Acre no cenário nacional.
Outro nome de grande destaque foi Marina Silva. Eleita senadora em 1994, tornou-se uma referência nacional e internacional na defesa do meio ambiente, da Amazônia e dos povos da floresta, levando a agenda ambiental para o centro do debate político.
Também se destacou Tião Viana, médico e pesquisador, que construiu uma trajetória marcada pela atuação em saúde pública, ciência e desenvolvimento regional. No Senado, ocupou posições relevantes na Mesa Diretora e teve papel importante na tramitação de matérias estratégicas para a região Norte.
Essa tradição de presença e influência teve continuidade nos anos mais recentes com Jorge Viana.
Entre 2011 e 2018, ele manteve uma atuação intensa no plenário, com 839 pronunciamentos ao longo do mandato, média superior a 100 por ano. Durante todo esse período, esteve na lista dos Cem Cabeças do Congresso, elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o DIAP, que reúne os parlamentares mais influentes do país. O reconhecimento nacional também o levou à vice-presidência do Senado.
O ano de 2018 foi a última vez que um senador do Acre apareceu nessa lista.
Naquele período, o estado tinha presença, visibilidade e capacidade de articulação em Brasília.

O cenário atual é bem diferente.
Em 2025, a participação da bancada acreana no plenário do Senado foi baixa, segundo matéria publicada pelo site Ac24horas. Alan Rick registrou 9 participações ao longo do ano. Márcio Bittar teve 14. Sérgio Petecão, 19.
Os números mostram uma mudança significativa no nível de atuação. A média anual que o Acre já teve no passado superava 100 pronunciamentos. Hoje, nenhum dos três senadores alcançou sequer um quinto desse volume.
A baixa presença também se reflete na influência política. Desde 2019, nenhum senador do Acre voltou a figurar entre os Cem Cabeças do Congresso, segundo o levantamento do DIAP.
No Senado, visibilidade não é detalhe. É instrumento de poder político. Estados que participam mais influenciam mais. Quem aparece pouco acaba perdendo espaço nas disputas por investimentos, obras e políticas públicas.
Os números deixam claro: o Acre já teve protagonismo em Brasília. Hoje, a baixa participação da bancada coloca o estado em uma posição de pouca visibilidade e influência nas decisões nacionais.
Peso formal e influência real
No Senado Federal, todos os estados têm o mesmo peso. Cada unidade da federação é representada por três senadores, independentemente do tamanho da população ou da economia. O Acre tem exatamente a mesma força formal que qualquer outro estado.
O que faz a diferença não é o tamanho da bancada. É o tamanho da atuação.
E essa voz não se constrói nos púlpitos das igrejas, nem em caminhadas partidárias, muito menos no meio da rua. É no plenário do Senado. É lá que o senador representa o seu estado. É lá que ele debate, se posiciona e faz a diferença.







