Parlamentar aponta falhas estruturais, falta de professores e interrupções no calendário escolar.
A precariedade de escolas estaduais na região do Rio Gregório, em Tarauacá, no interior do Acre, foi denunciada nesta terça-feira (28), durante sessão na Assembleia Legislativa (Aleac), pelo deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB), que apontou problemas estruturais nas unidades e a ausência de professores, comprometendo o funcionamento das atividades escolares.
Uma das escolas citadas é a Escola Iva Sttiho, situada na Aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena Yawanawa. Segundo o parlamentar, o espaço apresenta problemas graves que comprometem o cotidiano dos estudantes. A área destinada à preparação da merenda, por exemplo, funciona em condições consideradas inadequadas.
No Baixo Rio Gregório, já na região da Floresta Pública, o cenário se repete. De acordo com a denúncia, a escola local não possui banheiro, o que obriga crianças a utilizarem o espaço sem privacidade. As salas de aula também apresentam deterioração, com tábuas corroídas pela falta de manutenção.
Ao criticar a condução das políticas públicas para a educação rural, o deputado relembrou um debate feito há dois anos sobre a necessidade de reformas nas escolas dessas regiões. Ele questionou a contratação de uma empresa de outro estado para executar serviços, sem resultados efetivos.
“Eu lembro que há dois anos eu levantei um debate sobre a reforma das escolas rurais. A Secretaria de Estado de Educação pegou uma carona em uma ata de vários milhões de reais para contratar uma empresa do Maranhão. E o argumento para defender aquela pouca vergonha, era de que se fosse fazer um processo licitatório ia atrasar muito para iniciar o ano letivo. Está aí como se encontra a realidade dos estudantes. Onde se fez algum tipo de reforma foi aonde foram feitos convênios com as prefeituras”, disse.
A crítica também alcança a organização do quadro de professores. Segundo Edvaldo Magalhães, escolas rurais de ensino médio ainda operam sem equipes completas, mesmo com o ano letivo em andamento.
“Eu faço um desafio aqui, a qualquer parlamentar que tem uma base na zona rural, que ligue para qualquer aliado seu e pergunte: os professores da sua escola já foram todos lotados? A resposta vai ser não. Escolas enormes. Aqui próximo, dentro de ramais. A maioria dos professores das turmas do ensino médio, não foi lotada ainda. Estamos começando o mês de maio. Já são 60 dias sem aula. No final do ano se dá um jeito de fechar o ano letivo. E a condenação de uma geração sem ter a condição de ter uma formação mínima para disputar um Enem”, concluiu.







