Com recuo do Rio Acre, começa limpeza de bairros atingidos, mas famílias seguem fora de casa em Rio Branco

Nível do rio caiu para 12,91 metros em Rio Branco, abaixo da cota de alerta; 53 famílias ainda permanecem desabrigadas.

O nível do Rio Acre caiu para 12,91 metros na manhã desta sexta-feira (2), em Rio Branco, ficando abaixo da cota de alerta de 13,50 metros. A vazante permitiu o início da limpeza em áreas atingidas pela cheia, mas a Defesa Civil avalia que ainda não há condições seguras para o retorno das famílias que permanecem desabrigadas.

A operação de retirada de lama, lixo e entulhos começou durante a madrugada e se concentra, inicialmente, em bairros historicamente vulneráveis às cheias. Segundo a Defesa Civil Municipal, 53 famílias seguem fora de casa por risco estrutural e sanitário, mesmo com a redução do nível do rio.

O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, afirma que a prioridade é reduzir os riscos à saúde da população. “Apesar da vazante, ainda há muita sujeira acumulada e não há segurança para o retorno imediato das famílias”, explicou.

Os serviços são executados pela Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade (SMCCI) e devem alcançar pelo menos seis bairros ao longo do fim de semana. Estão no cronograma as regiões do Seis de Agosto, Cadeia Velha, Hélio Melo, Baixada da Sobral, Plácido de Castro e Taquari.

De acordo com o secretário Tony da Rocha Roque, cerca de 150 trabalhadores atuam diariamente na força-tarefa. A expectativa da prefeitura é recolher aproximadamente 300 toneladas de resíduos por dia. “O objetivo é acelerar a limpeza para permitir, com segurança, o retorno das famílias”, afirmou.

Cheia do Rio Acre alcançou mais de 15 metros no início da semana e impactou comunidades em diferentes regiões da capital. Foto: Juan Vicent/Proa

Cheia teve pico no início da semana

A atual vazante ocorre após dias de elevação rápida do manancial. No sábado (27), o Rio Acre ultrapassou a cota de alerta e transbordou pouco depois. O pico foi registrado na segunda-feira (29), quando o nível chegou a 15,41 metros.

A partir de terça (30), o volume de água começou a baixar de forma gradual.

Após cinco dias acima da cota de transbordamento, o rio recuou para menos de 14 metros na quinta-feira (1º), abrindo espaço para o início das ações de limpeza urbana.

Transbordamento do Rio Acre provocou alagamentos em bairros e forçou a retirada de moradores de áreas de risco em Rio Branco. Foto: Juan Vicent/Proa

Desabrigados

Levantamentos do poder público indicam que 443 pessoas ficaram desabrigadas durante a cheia e foram acolhidas em estruturas montadas pelo município e pelo governo do Estado. Outras famílias buscaram abrigo em casas de parentes e amigos.

Na quarta-feira (31), 103 famílias afetadas pela enxurrada de igarapés conseguiram retornar para suas residências, o que resultou na desativação de alguns abrigos temporários. Ainda seguem em funcionamento unidades de acolhimento em escolas da capital, incluindo espaços destinados a famílias indígenas.

A cheia do Rio Acre ocorre em um contexto de eventos climáticos extremos registrados desde dezembro, quando Rio Branco teve o maior acumulado de chuvas da série histórica.

Segundo a Defesa Civil, o volume mensal ultrapassou 560 milímetros, ampliando os impactos sobre áreas urbanas e aumentando a pressão sobre os serviços públicos.

Mesmo com a vazante, a Defesa Civil mantém o monitoramento do rio e alerta que o retorno das famílias será autorizado apenas após avaliação técnica das áreas atingidas.

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