Com a debandada de deputados da base, Edvaldo Magalhães ironiza e diz que oposição já é maioria na Aleac

Deputado afirma que erros políticos e pressão sobre parlamentares fragilizaram base governista e alimentaram risco eleitoral

A base governista na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) enfrenta sinais de esvaziamento, enquanto a oposição ganha musculatura. A avaliação é do deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB), que afirmou, nesta quarta-feira (18), que o bloco oposicionista já supera numericamente o grupo alinhado ao governo de Gladson Camelí (PP), no início do segundo mandato.

A declaração foi feita durante sessão plenária e ocorre em meio a um movimento de distanciamento de parlamentares da base.

“A oposição aqui hoje é maioria. Quem diria? Na contagem de agora, a oposição é maioria. Estou contando o Gene em função do posicionamento do seu irmão, prefeito Gerlen e do comportamento do governo com relação ao próprio Gene. O Gene recebeu as retaliações por conta das decisões do irmão. Nem essa diferença os falcões do governo conseguem fazer. É tudo igual. E na política, se você não tratar cada um, como cada um, comete um erro de colocar um sinal de igualdade, como se a política fosse matemática. E ela é uma ciência que não é exata”, disse.

A fala de Magalhães expõe um ponto sensível da atual legislatura. Segundo ele, a condução política do Executivo tem falhado ao não considerar as especificidades de cada parlamentar, especialmente em pautas que colidem com interesses locais. O resultado, na leitura do deputado, é o desgaste da relação com a base.

Em outro momento, o parlamentar reforçou que o governo iniciou o segundo mandato, em 2023, com uma base ampla, mas que acabou sendo mal gerida ao longo do tempo. “O governo assumiu o segundo mandato com uma base empanzinada, enorme. E os tratou aqui, em vários momentos delicados, expondo a própria base de forma desnecessária, colocando deputados a assumirem posições contra as suas próprias bases e suas próprias convicções”, afirmou.

A crítica central recai sobre a articulação política do governo, apontada como insuficiente para garantir coesão entre aliados. Magalhães atribui a atual “debandada” à ausência de estratégia e ao temor eleitoral, especialmente diante da possibilidade de formação de chapas com baixa competitividade, conhecidas no meio político como “chapa da morte”.

“Que tratamento político é esse? Sabe do que se trata, deputado Eduardo Ribeiro, são os falcões que nunca tiveram um voto, como o chefe da Casa Civil. Nunca experimentaram a dificuldade de juntar um grupo e disputar uma eleição. Não, eles têm que dar ordem”, ressaltou.

Ao comparar com gestões anteriores, o deputado mencionou o período da extinta Frente Popular do Acre (FPA), quando, segundo ele, havia maior preocupação com a viabilidade eleitoral dos aliados.

“Eu fui líder de governo durante oito anos. E é muito difícil ser líder de governo, porque você vira cuidador de deputado. Cuidar de gente é muito difícil, mas de deputado é mais complicado. E quando chegava nestes tempos, a gente tinha um cardápio de chapas para oferecer a nossa base, porque tínhamos compromisso de apontar para a nossa base possibilidade reais de reeleição, porque eles tinham se sacrificados em todo o tempo. Este governo não tem alternativa para a sua base. A alternativa que ofereceram anteontem foi o brete. Vem todo mundo aqui para o brete: quem escapar da maquininha de matar mandatos… Por isso me solidarizo com os deputados que buscam a sobrevivência”.

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