Clássico gótico ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ ganha nova versão e estreia no cinema de Rio Branco

Filme dirigido por Emerald Fennell traz Margot Robbie e Jacob Elordi nos papéis centrais e integra a programação do Cine Araújo, no Via Verde Shopping.

A nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes chegou aos cinemas de Rio Branco nesta quinta-feira (12). Dirigido por Emerald Fennell, o longa revisita o romance gótico publicado em 1847 por Emily Brontë e aposta em uma leitura contemporânea de uma das histórias de amor mais turbulentas da literatura inglesa.

Estrelado por Margot Robbie, no papel de “Catherine Earnshaw”, e Jacob Elordi como “Heathcliff”, o filme reforça o caráter trágico e obsessivo da relação entre os protagonistas. A obra original é considerada um marco do romantismo sombrio e influenciou gerações de leitores e cineastas ao retratar paixões intensas, ressentimentos familiares e disputas de classe em meio às paisagens inóspitas da região de Yorkshire, na Inglaterra.

A produção entrou em cartaz no Cine Araújo, que funciona no Via Verde Shopping. Ao todo, 12 filmes estão em exibição na rede nesta semana. Além do clássico adaptado por Fennell, também seguem em cartaz Um Cabra Bom de Bola, Zootopia 2, Caminhos do Crime e Des(controle), filme nacional, ampliando a oferta de gêneros para o público local.

Margot Robbie interpreta Catherine Earnshaw na nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell. Foto: Divulgação

Romance, obsessão e conflito social

Publicado sob o pseudônimo Ellis Bell, o romance de Emily Brontë narra a história de Catherine Earnshaw e Heathcliff, personagens marcados por uma ligação afetiva intensa e destrutiva.

Criado como órfão na casa dos Earnshaw, Heathcliff cresce entre o afeto e a rejeição, o que molda sua personalidade ressentida. A relação com Catherine, atravessada por diferenças sociais e orgulho, desencadeia uma cadeia de vinganças e tragédias que se estende por gerações.

Ao longo das décadas, O Morro dos Ventos Uivantes recebeu diversas adaptações para cinema e televisão, consolidando-se como um dos títulos mais revisitados da literatura britânica. A nova versão, conduzida por Emerald Fennell, conhecida por narrativas de forte identidade visual e personagens femininas complexas, propõe uma abordagem mais crua e estilizada do enredo.

A presença de Margot Robbie, que recentemente protagonizou sucessos de bilheteria, e de Jacob Elordi, nome em ascensão no cinema internacional, amplia a expectativa em torno do filme.

A nova versão aposta em estética estilizada e atmosfera sombria. Foto: Divulgação

Recepção da crítica

A crítica internacional tem destacado a ambição estética da diretora e o desempenho do elenco principal. Veículos especializados elogiaram a fotografia e a construção visual das charnecas inglesas, apontando que a atmosfera contribui para atualizar o tom sombrio do romance original.

Há, contudo, avaliações divididas quanto às liberdades narrativas adotadas na adaptação. Parte dos críticos considera que a releitura intensifica o melodrama e imprime um ritmo mais contemporâneo, o que amplia o alcance junto ao público atual. Outros apontam que determinadas escolhas estilísticas podem suavizar nuances psicológicas presentes no texto de Brontë.

No The Guardian, o crítico Peter Bradshaw atribuiu duas estrelas e classificou o filme como um “erro emocionalmente vazio, no estilo romance de banca sensacionalista”. Ele afirmou que Fennell “eleva o tom camp” e descreveu a obra como “um ensaio fotográfico de moda de 20 páginas de pura frivolidade, com corpetes rasgados em pedaços e um toque provocante”.

Em sentido oposto, Robbie Collin, do The Telegraph, concedeu cinco estrelas e elogiou o resultado como “resplandecentemente extravagante, viscoso e selvagem”. Para ele, “estilo acima de substância? De forma alguma — é mais que Fennell entende que o estilo pode ser substância quando é bem executado”. O crítico acrescentou que “as paixões de Cathy e Heathcliff vibram em suas roupas, em seus arredores e em tudo ao seu alcance, e você sai do cinema tremendo na frequência privada deles”.

Outros veículos apresentaram avaliações intermediárias. Danny Leigh, do Financial Times, deu três estrelas e comparou o tom a uma comédia britânica de exagero estético, enquanto Donald Clarke, do The Irish Times, também avaliou com três estrelas e observou que, apesar da aparência de desconstrução, a narrativa permanece relativamente fiel à estrutura original.

Na Empire, Beth Webb destacou que o filme é “indiscutivelmente elaborado com perícia”, embora tenha apontado irregularidades no ritmo. Já David Rooney, do The Hollywood Reporter, elogiou a química entre os protagonistas e afirmou que “os protagonistas são cativantes e a química entre eles é eletrizante”.

As críticas mais duras vieram de Clarisse Loughrey, do The Independent, que deu uma estrela e chamou a adaptação de “espantosamente ruim”, e de Kevin Maher, do The Times, que atribuiu duas estrelas e questionou a construção do personagem Heathcliff. Em contraste, David Sims, do The Atlantic, classificou o longa como o melhor trabalho de Fennell até agora, definindo-o como “uma experiência carnal intensa e arrebatadora”.

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