Chuvas quase dobram média histórica e fazem Rio Acre voltar a subir em Rio Branco

Com 572,7 milímetros acumulados em janeiro, capital enfrenta nova oscilação do manancial e mantém milhares de moradores afetados por enchentes sucessivas.

O volume de chuvas registrado em Rio Branco em janeiro já superou a média prevista para o período e voltou a pressionar o nível do Rio Acre. Dados da Defesa Civil Municipal indicam que, do dia 1º até esta segunda-feira (26), o acumulado chegou a 572,7 milímetros, quase o dobro dos 287,5 milímetros esperados para todo o mês.

O excesso de precipitação alterou novamente o comportamento do manancial, que havia iniciado um processo de vazante no fim de semana. Entre o fim da tarde e a noite de domingo (25), choveu 70,80 milímetros na capital, volume suficiente para interromper a queda do rio e provocar nova elevação.

Na medição das 9h desta segunda-feira (26), o Rio Acre marcou 12,89 metros, permanecendo 61 centímetros abaixo da cota de alerta, fixada em 13,50 metros. No sábado (24), após ficar uma semana acima da cota de transbordo de 14 metros, o nível começou a recuar, ao registrar 13,98 metros às 5h e 13,86 metros às 9h.

Ao longo do domingo, a descida prosseguiu e levou o rio para 12,42 metros às 18h, abaixo da marca de alerta, mas a tendência se inverteu durante a noite, quando voltou a subir e alcançou 12,71 metros à meia-noite.

As cotas oficiais adotadas para o monitoramento do Rio Acre em Rio Branco são de 10 metros para atenção, 13,50 metros para alerta e 14 metros para transbordamento. O pico da atual cheia ocorreu no dia 22 de janeiro, quando o manancial atingiu 14,71 metros, ficando a 3,39 metros do recorde histórico de 18,40 metros, registrado em março de 2015.

Mesmo com a oscilação recente, os impactos sociais permanecem. Mais de duas mil pessoas de 27 bairros foram atingidas pela segunda enchente em menos de um mês e a terceira em menos de um ano, segundo levantamento da Defesa Civil. No Parque de Exposições Wildy Viana, dez famílias ainda permanecem em situação de desabrigo, em meio a 74 abrigos montados no local. A previsão oficial é de retorno às residências quando o rio baixar para 10 metros.

Na zona rural, 15 comunidades enfrentam consequências da cheia, entre elas Panorama, Belo Jardim, Liberdade, Catuaba e Vista Alegre. Também houve a remoção de sete famílias indígenas para um abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho.

A Defesa Civil informou que mantém o monitoramento do nível do rio e das condições meteorológicas, diante da sequência de eventos extremos que reforça a vulnerabilidade da capital acreana durante o período chuvoso.

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