O pedido de afastamento do superintendente de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTrans), Clendes Vilas Boas, acusado de assédio moral por servidores da autarquia, provocou mais um impasse na Câmara Municipal nesta quinta-feira (28). A sessão foi marcada por acusações de obstrução de pauta entre vereadores da base do prefeito Tião Bocalom (PL) e parlamentares da oposição.
Atualmente, dois requerimentos pedindo o afastamento do gestor estão protocolados na Casa. O primeiro apresentado pelo vereador Fábio Araújo (MDB), no dia 14 de agosto, e outro, protocolado em 19 de agosto, por dez vereadores ligados ao prefeito. Ambos ainda não foram votados. Nesta quinta, Araújo apresentou um novo pedido, solicitando urgência na deliberação.
Segundo ele, a demora em colocar os requerimentos na ordem do dia demonstra proteção política ao superintendente.
“O primeiro pedido foi protocolado dia 14 de agosto por mim, o segundo no dia 19 pela base do prefeito. Não sei por que o presidente está segurando essa pauta. Estou defendendo que a prefeitura afaste um secretário acusado de assédio. Não existe requerimento mais importante do que uma denúncia séria como essa”, disse Araújo.
O vereador também criticou o argumento da base de que a votação do Refis, programa de recuperação fiscal da prefeitura, cujo prazo encerra nesta sexta-feira (29), estaria sendo travada pela oposição. “Essa pauta já poderia ter sido votada desde a semana passada. A pauta está travada porque não colocam os pedidos de afastamento em discussão. O que estamos vendo é que a Câmara se tornou um puxadinho da prefeitura ”, afirmou.
O presidente da Câmara, Joabe Lira (União Brasil), rebateu as críticas e disse que a Casa já ouviu denunciantes e encaminhou documentos ao Ministério Público do Acre (MP-AC). Para ele, outras matérias também têm caráter urgente.
“Nós passamos 15 dias tratando sobre a questão do Vilas. Recebemos os denunciantes, encaminhamos ao Ministério Público. Mas também temos pautas importantíssimas que precisam ser votadas, como a prorrogação do Refis e a criação do Fundo da Agricultura. Os requerimentos de afastamento também serão pautados, mas precisamos dar sequência às prioridades”, afirmou Lira.
Acusações de blindagem
A condução da pauta gerou críticas duras de vereadores oposicionistas, que acusaram a presidência da Câmara e o prefeito de blindarem Vilas Boas. O vereador Eber Machado (MDB) afirmou que a prefeitura sequer abriu procedimento administrativo para investigar as denúncias.
“Quem esse senhor tem na mão para ser tão protegido? Há denúncias graves de assédio apresentadas nesta Casa, mas o presidente e o prefeito estão impedindo que sequer se vote um afastamento”, criticou.
O vereador André Kamai (PT) também reforçou as acusações de blindagem política.
“O que está acontecendo aqui na Câmara é uma manobra inexplicável. Eu nunca vi alguém ser tão protegido sob tantas denúncias graves quanto o superintendente da RBTrans. A base do prefeito tomou a decisão de não votar o requerimento que ela mesma apresentou, pedindo o afastamento do senhor Vilas Boas por conta das acusações de assédio. Nós temos o Refis para votar, temos vetos do prefeito para votar e agora temos um requerimento urgentíssimo pedindo a votação do afastamento. Eu sinceramente preciso entender o que existe no entorno do senhor Vilas, que o faz ser tão protegido assim pelo prefeito e pela base. A Câmara está paralisada por conta de uma pessoa que responde a acusações graves e que deveria ser afastada para que as investigações aconteçam de forma tranquila, sem sua interferência no cargo”, declarou.